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OPINIÃO
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FRUSTRAÇÃO
Voto popular: a legitimidade e a força de um governante
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Em agosto próximo, especificamente no dia 16, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff completará dois anos. Nesse seu segundo aniversário, a certeza que se tem é a de que as expectativas positivas que se tinham com a troca do comando da nação, retirando Dilma para colocar Temer, foram todas frustradas.
 
No campo da corrupção, os noticiários não mudaram, apenas as siglas e os nomes dos mandatários envolvidos foram alterados, mas lá continuam muitos do alto escalão do Governo Federal, inclusive o próprio presidente Michel Temer.
 
No aspecto da popularidade, Temer talvez esteja se saindo ainda pior do que Dilma em seus piores dias. Segundo a última pesquisa Ibope, divulgada em 05/04/2018, Temer atingiu o fundo do poço (espera-se) com apenas 3% de aprovação. Conseguiu desagradar ainda mais que Dilma.
 
No campo econômico, então, está se mostrando um verdadeiro desastre. A “ponte para o futuro” alardeada pelo PMDB, hoje MDB, e que marcou o início da ruptura da aliança pragmática entre PT e PMDB, definitivamente ruiu. O dólar explodiu. Os índices da Bolsa estão caindo. O desemprego só aumenta e já atinge mais de 13 milhões de brasileiros. Os investimentos públicos foram congelados e, a cada dia mais, são contingenciados para se tentar, porque não se está conseguindo, manter o superávit fiscal. Os investidores da Petrobras voltaram a sorrir, já os motoristas brasileiros...
 
A reforma da Previdência não foi aprovada. Há quem diga, como eu, que isso foi positivo, ao menos diante da proposta que havia sido apresentada. Já a reforma trabalhista foi aprovada a toque de caixa, tendo que ser remendada por uma Medida Provisória no dia seguinte; tem aspectos positivos, porém muitos aspectos negativos. Pergunte aos trabalhadores e aos sindicatos. Por outro lado, os empresários ficaram satisfeitos e prometeram criar mais postos de trabalho, mas ainda não o fizeram e afirmam que a culpa é da economia, que continua a andar para trás.
 
Temos um ex-presidente preso e um presidente investigado, que só não é processado por ser presidente. Talvez, se não o fosse, também já estivesse preso, como alguns de seus amigos. Dinheiro na cueca passou a ser bobagem diante de mala recheada sendo colocada no táxi, exibida nos telejornais de todos os canais, e até de malas e caixas, no plural mesmo, caprichosamente guardadas num apartamento fechado, que pertencia a um assessor do presidente Temer.
 
Enfrentemos uma crise na Segurança Pública sem precedentes: intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, ataques coordenados por facções criminosas nos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Norte, caos no sistema penitenciário de diversos (ou de todos) os Estados da Federação.
 
Temos um governo fraco, sem apoio, perdido, sem norte, sem legitimidade. Prova disso é que negociou um acordo com os caminhoneiros, cedendo muito, dias depois teve que renegociar, cedendo ainda mais. Agora, cedendo à pressão dos produtores rurais, voltou atrás com os caminhoneiros, alterou parte do acordo firmado com eles, mas não se decide quanto à tabela mínima de valores de fretes. Conseguiu desagradar tanto caminhoneiros quanto produtores rurais de uma só vez.
 
Tudo isso, em grande parte, é fruto da falta de legitimidade do atual governo, que já é um governo falido, acabado, apenas aguardando o final da partida. A democracia brasileira, desde a redemocratização, nunca necessitou tanto de eleições gerais como agora, de eleições livres que conduzam representantes legitimados diretamente pelo voto popular aos postos de comando da nação.
 
Somente o voto popular dá legitimidade e força a um governante. Depois de outubro, quando se definir a formatação do Congresso Nacional, o tamanho de cada força política, os governos estaduais, o Presidente da República e, consequentemente, conhecer seus ideais, seus ministros e sua equipe de governo, a situação deve melhorar. Ela precisa melhorar. Os brasileiros merecem.

Evandro da Silva é advogado em Araçatuba, sócio do Escritório Evandro da Silva Sociedade de Advogados, atuante nas áreas de Direito Civil, Trabalhista, Administrativo e Eleitoral.
Contato: evandro@evandroadvocacia.com.br


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