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TIME PRINCIPAL: Jogador de Birigui é convocado para a seleção brasileira de vôlei e fala com Política e Mais sobre expectativa
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Ele vem de uma família de jogadores de vôlei e aprendeu os primeiros fundamentos ainda criança, com o pai, Gilmar. Chegou a ser desacreditado que tivesse uma carreira brilhante no voleibol, pois não apresentava o melhor desempenho fisicamente entre os jogadores. Por isso, alguns treinadores traçaram um futuro pouco promissor para aquele garoto de Birigui que treinava em quadra aberta, de cimento, e, às vezes, até com bola de basquete, por falta de materiais esportivos adequados.

Mas ele contrariou todas as expectativas pessimistas e, na última sexta-feira (13) (sim, uma sexta 13!), Victor Alexsander Almeida Cardoso, 19 anos, o Victor Birigui, conseguiu realizar o sonho da maioria dos jogadores profissionais: ser convocado para a seleção brasileira principal. Ele dizia ao pai que estava trabalhando duro para isso e tinha fé em sua convocação ainda este ano.

Mesmo assim, agora, parece estar vivendo um sonho. Ao acordar, o jovem jogador recebeu a ligação de seu empresário, na sexta, que perguntava se ele tinha algo para lhe contar. Victor respondeu que não tinha nada de novo e, ao desligar, foi checar o seu whatsapp e veio a surpresa.

Maroni, coordenador da seleção adulta, o comunicava que ele teria de se apresentar em Saquarema (RJ), no dia 22 de abril, e pedia alguns dados pessoais, pois ele estava convocado para a seleção brasileira de voleibol! Quando viu a mensagem, começou a chorar e achou que fosse mentira. "É uma coisa muito espetacular, ainda não estou acreditando", diz, entre um sorriso e outro de felicidade.

Antes de se dirigir para Saquarema, para se apresentar ao técnico Renan Dal Zotto, Victor tem uma missão importante. No sábado, joga a final da Superliga B pelo Vôlei Um Itapetininga contra o Vôlei Ribeirão Preto, competição que terá transmissão pela SporTV e Rede Vida. Ele, que é um atleta do Sesi, está emprestado ao Itapetininga, time do qual é o caçulinha. "Fiz um bom campeonato, fomos classificados para a Superliga e acredito que isso foi fundamental para a minha convocação", diz.



A experiência permitiu a Victor conviver com jogadores mais velhos, como o campeão olímpico André Nascimento, 39 anos. "Estou aprendendo muito com ele, é um cara que já conquistou ligas mundiais e a humildade que ele tem é emocionante", diz Victor.

A carreira do ponteiro-passador biriguiense de 2,03 metros de altura começou a decolar em 2013, quando fez um teste no Sesi e passou a integrar a equipe no ano seguinte. Pelo time, foi campeão paulista na categoria infantil, aos 15 anos, em 2014 e 2015. Hoje, é tricampeão brasileiro pelo Estado de São Paulo.

O excelente trabalho no Sesi chamou a atenção e o levou a ser convocado para a seleção brasileira sub-17 pela primeira vez em 2014. Desde então, já jogou dois mundiais pelo Brasil. No ano passado, foi campeão pan-americano no Canadá pela seleção brasileira na categoria sub-21 e foi escolhido o melhor jogador do torneio entre as oito equipes participantes. Depois, no Mundial disputado na República Tcheca, entre junho e julho do ano passado, teve uma boa participação, conquistando o quarto lugar.

REVIRAVOLTA

A história de Victor mostra que ele é craque também em reviravoltas. Se na infância era apontado como um jogador pouco promissor, recentemente, passou por uma experiência ruim, mas que ao final, contribuiu para realizar o seu sonho de ser escalado para o time principal da seleção brasileira.

Como jogador da seleção sub-21, ele convive com os jogadores adultos do Brasil, em Saquarema, no Rio. A ironia é que, há alguns meses, os jogadores do juvenil foram convidados para ir a Argentina participar de amistosos. Como Victor não estava numa fase lá muito boa, não foi chamado, mas teve a chance de ficar treinando com os jogadores adultos da seleção e "arrebentou" no treino.

E isso também fez a diferença ao ser escalado para o time principal da seleção, acredita o atleta. Para ele, é uma emoção muito grande estar ao lado de Lucão, Walace, Bruninho, Eder Carbonera, Tiago, Thales, Murilo, Lucarelli, Maurício, Renan, Evandro, Douglas, Rodriguinho, Otávio, Raphael e Lipe.

Por Lipe, aliás, tem um carinho especial. Quando não ia bem em um treino, pela seleção sub-21 em Saquarema, Lipe, que estava na arquibancada, desceu para ajuda-lo e passar algumas dicas que fizeram toda a diferença naquele momento. "Eu estava errando bastante e ele veio ao meu lado, me mostrou como fazer o movimento certo", conta Victor.

O jovem que começou a jogar aos sete aninhos, na frente de casa, é muito grato à sua família, por todo apoio que sempre recebeu. Assim como Victor, seu pai, Gilmar Cardoso, 47 anos, foi jogador e há 24 anos é professor da escolinha de vôlei da Prefeitura de Birigui, por onde Victor passou e por quem tem muito carinho. "Foi ali que tudo começou e sou muito agradecido ao meu pai por todos os ensinamentos". Ele agradece também à mãe, Silvia Helena Almeida Cardoso, 46, e aos irmãos, Leonardo (que joga em Atibaia), 21, e Gilmarcio, 24, que ainda joga por Birigui.



O último campeonato que jogou em Birigui foi em 2013, um sub-16, aos 14 anos, e foi escolhido o melhor jogador do torneio. Sempre que vai à cidade natal, faz questão de jogar com a equipe de lá, para não esquecer suas origens. Para Gilmar, o sucesso do filho lhe dá um sentimento de dever cumprido como professor e como pai. "É uma sensação muito boa, é muita felicidade, orgulho, porque não é fácil", diz. "O voleibol é um esporte difícil de formar jogadores, ainda mais nesse nível. Não é como o futebol, que tem todas as mordomias", diz Gilmar.

O pai elenca as qualidades do filho: "Ele é muito focado, determinado, guerreiro e tem objetivos traçados. Pra ter uma ideia, faz três anos que ele não tira férias", resumiu. Gilmar lembra que o filho lhe disse que seria um dos melhores jogadores em Itapetininga e que seria chamado para a seleção brasileira. Dito e feito!

O técnico Leonardo Carvalho, da seleção sub-19, onde Victor jogou, afirmou, em entrevista ao site da Confederação Brasileira de Voleibol, que o jogador tem como características principais o alcance de ataque e um bloqueio agressivo, além de um saque viagem forte para jogadores desta categoria. "Mesmo sendo um atleta privilegiado fisicamente, ele tem um bom desempenho em relação à recepção, o que é fundamental para um ponteiro", elogiou Leo Carvalho, em julho de 2017.

Entre seus ídolos, Victor aponta os cubanos Osmany Juantorena, que se naturalizou italiano e hoje faz parte da seleção daquele país; e Leon, naturalizado polonês. O biriguiense diz que está muito motivado e pretende dar tudo de si para conseguir jogar no time principal, porque, apesar de ter sido chamado pelo técnico Renan Dal Zotto, precisa de uma vaga para entrar em uma partida pela seleção brasileira principal.

No sub-21, sua participação é garantida, pois ainda tem mais dois anos pela frente na categoria de base. O grande sonho, no entanto, é ser campeão olímpico e recordista na modalidade em equipe. Para isso, dedica-se inteiramente ao voleibol. Treina cinco horas por dia. Namoro, só aos finais de semana. O foco é ir em busca da realização de seu sonho. Alguém tem dúvida de que ele irá conseguir?

FOTOS: Divulgação FIVB / VÔLEI UM
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