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ECONOMIA E AGRONEGÓCIO
GREVE DOS CAMINHONEIROS
Tabela de frete gera impasse e inviabiliza transporte nas rodovias

Uma semana após o fim da greve dos caminhoneiros, o transporte rodoviário está longe de voltar à normalidade na região de Araçatuba. A adoção de uma tabela de frete mínimo pelo governo federal, como forma de colocar fim à greve dos caminhoneiros, gerou um impasse entre empresas que atuam no agronegócio e transportadoras, por causa do aumento do custo do transporte, que, dependendo do produto e distância percorrida, ficou até 180% mais caro. 

De um lado, os produtores alegam não ter condições de arcar com os novos custos. De outro, as transportadoras se recusam a rodar as estradas sem o pagamento do frete mínimo, com receio de serem multadas, já que o governo federal colocou a fiscalização nas rodovias para garantir o cumprimento da nova tabela.

Com isso, o caminhoneiro autônomo que reivindicou o tabelamento do frete ainda não conseguiu voltar ao trabalho de vez, após dez dias parados por causa da greve que teve início em 21 de maio.

“A greve acabou, mas o transporte continua parado. Tem muita gente à espera de uma definição”, afirma o gerente comercial da 1500 Transportes em Araçatuba, Diego Mateus.

Para piorar a situação, os caminhoneiros ameaçam nova paralisação caso o governo federal se renda aos apelos dos produtores agrícolas e opte por rever os valores adotados na tabela de frete mínimo.

Na tarde desta quarta-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pediu a revisão dos valores da tabela à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Ele questionou os critérios utilizados para a fixação dos novos valores e disse que a tabela “está fora de qualquer padrão”.

Como exemplo, Maggi citou que um frete que antes custava R$ 5 mil, agora fica em torno de R$ 13 mil ou R$ 14 mil, uma alta de 180%.

Enquanto o impasse não é solucionado, as transportadoras de produtos agrícolas, sobretudo commodities como açúcar e soja, estão com a maior parte de sua frota nos pátios das empresas.

Dos 500 caminhões da 1500 Transportes, por exemplo, apenas 50 estão nas rodovias, mas para transportar produtos acabados, como sabão em pó e detergentes. Nada de produtos agrícolas.

Antes da paralisação dos caminhoneiros, a empresa carregava 5 mil toneladas de açúcar por dia, para os portos de Santos e de Paranaguá, mas desde o dia 21 de maio, não transporta um único grão, segundo o gerente comercial da transportadora, que é a segunda maior do País.

O valor do frete do açúcar de Araçatuba até Santos era de R$ 125,00 por tonelada. Hoje, é de R$ 140,00, ou seja, 12% maior. “As usinas afirmam não ter condições de arcar com este aumento, porque o preço do açúcar está muito baixo no mercado internacional”, explica Mateus.

Questionada sobre os impactos nas usinas produtoras de açúcar, a assessoria de imprensa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) informou que se manifestaria sobre isso nesta quinta-feira (7).

Para Mateus, foi uma irresponsabilidade do governo lançar a tabela de fretes sem a participação de todos os envolvidos na cadeia do transporte.

“O governo quis tirar um problema de suas costas e criou outro maior”, afirmou. “Não somos contra a tabela de frete, mas hoje, nas condições do nosso País, ela se torna impraticável”, completou.

Ele afirma ainda que, ao tabelar um preço, perde-se o livre comércio. “Ao tabelar o frete, teria que se tabelar o preço dos produtos também, se não fica impossível pagar o frete”, opinou Mateus.

A 1500 Transportes trabalha com o setor industrial, de combustíveis, de produtos acabados e agrícolas, como açúcar, soja, milho e sorgo, além de defensivos agrícolas e fertilizantes.

FRETE DE RETORNO

A adoção da tabela de frete mínimo também acabou com o chamado frete de retorno, que equivalia a 60% do frete primário.

Quando um caminhão descarregava uma mercadoria em Santos, voltava carregado de outro produto com um frete diferenciado. Com o tabelamento, porém, o frete de retorno, hoje, está no mesmo valor que o primário.

Com isso, muito caminhão que foi com carga para o porto de Santos, não consegue voltar carregado, porque as empresas se recusam a pagar o frete mínimo. Com receio de levar multa, as transportadoras e os caminhoneiros se recusam a fazer o transporte.

MULTA

Se a fiscalização flagrar uma carga transportada com o frete abaixo da tabela, pode aplicar multa que equivale ao dobro do valor que deixou de ser pago. Podem ser multados os transportadores, a empresa responsável pelo carregamento da mercadoria e a embarcadora.

O impasse provocado pela adoção do frete mínimo atinge, principalmente, os produtos agrícolas, mas reflete em outros setores. Um empresário que transporta papel, por exemplo, disse que trabalha com apenas 30% de sua capacidade. Antes, carregava 20 cargas por dia. Hoje, carrega sete.

A expectativa dos transportadores é de que a situação se normalize ainda nesta semana, a partir da revisão da tabela de frete mínimo.

NOVA TABELA

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) admitiu a possibilidade de ajustar alguns valores e publicará, nesta quinta-feira (7), uma nova tabela de preço mínimo de frete, abrangendo uma variedade maior de caminhões.

Novas alterações, no entanto, não estão descartadas, já que a Agência anunciou que irá promover uma audiência pública para ouvir o setor produtivo e o de transportes. O chamamento da audiência deverá ser publicado na próxima semana.


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