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SAÚDE EM RISCO: Câmara confirma uso incorreto de água na diluição de remédios pelo PSM; Comissão vai pedir explicação
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A Câmara de Araçatuba confirmou nesta quinta-feira (30) informação publicada pelo Política e Mais, na quarta-feira, sobre o uso não recomendado de água destilada em frasco de um litro, para a diluição de medicação aplicada nas veias de pacientes que, pelo menos na última semana, receberam atendimento no Pronto-Socorro Municipal, localizado no bairro Santana. A prática oferece alto risco de contaminação de remédios e, consequentemente, aos pacientes.

A confirmação foi feita ao Política e Mais pelo presidente do Legislativo, Rivael Papinha (PSB), com base em informações por ele colhidas com funcionários da rede municipal de Saúde e outras passadas pelos vereadores Flávio Salatino (PMDB) e Lucas Zanatta (PV), que integram a Comissão Permanente de Saúde da Câmara.

"Sim isso estava acontecendo", disse Papinha. Ele ainda afirmou que, em visita feita ao PSM nesta quinta-feira, os vereadores Flávio Salatino, que é médico, e o presidente a comissão, Lucas Zanatta, não chegaram a visualizar o improviso feito para a aspiração da água destinada para a diluição de remédios. No entanto, o comandante da Câmara garante que os colegas tiveram informações de que o procedimento esta sendo praticado como relatado e mostrado pelo Política e Mais.

Funcionários da Saúde informaram ao Política e Mais que, logo pela manhã desta quinta-feira, responsáveis pela Saúde municipal e pelo Pronto-Socorro providenciaram ampolas corretas de água destilada para a diluição de remédios. A reportagem também apurou que, durante visita dos vereadores à unidade, não havia nenhum responsável técnico no local.




Tanto é que, na sessão de segunda-feira, a Comissão de Saúde deve levar a plenário um requerimento solicitando informações à administração municipal, sobre o fato narrado. A informação é de que o município será questionado sobre a veracidade da prática, que pode perfeitamente ser confirmada por funcionários; quem a autorizou; por qual motivo o Pronto-Socorro estava sem ampolas de água destilada em doses de 10 mililitros, que é o comum para a diluição de medicamento e, principalmente, se o governo sabe o risco que a prática flagrada e denunciada causou à população.

CONTAMINAÇÃO E CRIME CONTRA A SAÚDE.

O Política e Mais consultou, nesta quinta-feira, dois médicos a respeito do assunto. Um deles atuante em Araçatuba e outro em São Paulo. Ambos, que terão as identidades preservadas para evitar possíveis retaliações, confirmaram que o risco de contaminação é grande quando procedimentos do tipo são praticados.

Isso porque, para a diluição do medicamento, um mesmo dispositivo é perfurado várias vezes por agulhas acopladas em seringas que, mesmo descartáveis, podem levar contaminação para o líquido armazenado no interior do frasco. "Essa contaminação pode ser causada por conta do contato com o próprio ar", disse um dos profissionais.

Outro médico ouvido pela reportagem fez um alerta mais preocupante. Em se tratando de uma unidade de urgência e emergência, os atendimentos e medicações, muitas vezes, são administrados com certa rapidez. Se por ventura um profissional se confundir ou trocar apenas a agulha de uma seringa, o risco de contaminação é ainda maior. "Por mais raro que pode ser, sempre há o risco de contaminação por vírus como o HIV ou mesmo hepatite", alerta o profissional, destacando que, o certo, que todo medicamento seja diluído por meio de ampolas de água destilada com doses apropriadas. "Nem que seja para se usar quantas forem necessárias".



Por se tratar de um fato preocupante, o Política e Mais também ouviu dois advogados a respeito da questão. Eles alertam que, por mais que o município possa negar, caso este procedimento seja denunciado em órgãos competentes para investigação, como o próprio Coren (Conselho Regional de Enfermagem), CRM (Conselho Regional de Medicina) ou mesmo Ministério Público, sempre haverá caminhos para se chegar à verdade sem que os funcionários sejam colocados sob ameaça de retaliação por seus superiores.

"Estes órgãos existem justamente para fiscalizar, orientar e proteger os profissionais de práticas que, muitas vezes, são forçados a fazer contrariando as técnicas da profissão", observa um dos defensores.

No caso das fotos publicadas pelo Política e Mais, que apresentam as ampolas que deveriam ser usadas e o método que estava sendo praticado no PSM, pode ficar configurado crime contra a saúde pública. "É uma questão séria, pois é saúde que se foi colocada em risco. Isso deve ser apurado com rigor", afirma.

PREFEITURA CALADA

A Prefeitura de Araçatuba, questionada sobre o fato, tanto na quarta-feira como nesta quinta-feira, não se manifestou. Dando continuidade à promessa de transparência pregada pelo governo DILAFLOR -- este aí, formado pelo cimenteiro Dilador Borges (PSDB) e a defensora dos direitos humanos Edna Flor (PPS).
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