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SAÚDE MAQUIADA
Recém-inaugurado, novo Pronto-Socorro já é alvo de críticas por demora
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Aberto ao público no dia cinco deste mês com a promessa de melhorar o atendimento de urgência e emergência em Araçatuba, o pronto-socorro municipal Aida Vanzo Dolce, que agora funciona no antigo prédio do Hospital Santana, no Bairro São Joaquim, já é alvo de reclamações de quem depende dos serviços públicos de saúde. A principal delas é a demora em atender os pacientes, cuja espera pode chegar a cinco horas.

O espaço, que recebeu uma reforma estimada em R$ 585 mil, foi alugado pela Prefeitura por R$ 24 mil mensais. O principal argumento da administração municipal para transferir a unidade da Aviação para o novo prédio foi a localização, já que o imóvel fica no centro da cidade e próximo do terminal rodoviário.

A unidade, porém, passou a ser o único serviço de urgência e emergência de Araçatuba que funciona 24 horas por dia, já que o prefeito Dilador Borges (PSDB) fechou o pronto atendimento do São João, centralizando todo o atendimento emergencial no pronto-socorro. Para os usuários da saúde pública, isso está prejudicando o atendimento, pois os pacientes precisam aguardar horas até chegar a sua vez de passar pelo médico ou de receber a medicação prescrita.

Foi o que aconteceu com o idoso Pedro Queci, 65 anos, que tem câncer de garganta. Ele foi ao PS porque precisa receber uma sonda endogástrica, já que não consegue se alimentar via oral. Mesmo sendo um paciente oncológico, teve de aguardar cinco horas para ser atendido. Sua filha, a estudante de psicologia Vaine Kessy, ficou indignada que foi para as redes sociais desabafar contra o que ela considerou uma falta de respeito com o seu pai.

“Muito bem, pronto-socorro recém-inaugurado na nossa cidade de Araçatuba. Louvável a iniciativa do Sr. prefeito, pois a cidade necessita deste e de outros mais PS, porém, um prédio novo não é o suficiente. A população precisa de mais que isso, precisa de médicos e equipe de enfermagem para suprir a demanda de atendimentos”, escreveu.

Ela contou que seu pai chegou à unidade de urgência e emergência às 9h da segunda-feira (16) e só saiu depois das 14h. “O número de funcionários não é suficiente, eles são poucos para atender todo mundo que chega lá”, afirma.

Mas o sofrimento do idoso não acabou aí. Ao chegar em casa, após um cochilo, a sonda saiu e ele teve de voltar ao PS. “Uma hora e meia depois de chegar lá novamente, ele estava chorando de dor e não tinha sido atendido ainda”, contou. “Só foram atender meu pai depois que minha irmã fez um escândalo lá dentro”, disse. Mesmo assim, o atendimento só foi feito duas horas após o idoso chegar ao local. “Os pacientes com quem a gente conversou contaram que estavam lá há mais de duas horas à espera para ser atendido também”, relatou.

A indignação, segundo ela, é que o pai está com a imunidade baixa, já que faz quimioterapia e radioterapia e não poderia ficar exposto por muito tempo em um pronto-socorro. Além disso, como se alimenta apenas por sonda, acabou ficando mais de sete horas sem comer, tempo este que levou os atendimentos.

Para completar, segundo Vaine, na segunda vez em que o pai foi ao local, não havia sonda endogástrica no pronto-socorro e sua irmã teve de comprar em uma farmácia para que o pai pudesse ser atendido. “É simplesmente absurdo não termos os nossos direitos básicos, é direito meu e de todo cidadão, é constitucional o direito à saúde. Não posso me calar. Indignação é pouco”.

A auxiliar administrativa Elisângela Grotto Machado, 39, conta que quase desistiu do atendimento no pronto-socorro por causa da demora. Ela chegou ao local às 20h, na segunda-feira (16), e só saiu de lá às 2h de terça.

Com vômito e diarreia, ela relata que não conseguia parar em pé e não havia leito para ela se deitar. “Eu só fui medicada à meia-noite, ou seja, quatro horas depois de ter chegado lá. Para não cair, sentei na escadinha de uma maca, já que estavam todas ocupadas”, disse.

Segundo ela, os funcionários do pronto-socorro disseram que estavam desfalcados e que faziam o que podiam para atender todos os pacientes. Ela conta que o local estava lotado e muitos gritavam de dor nos corredores.

A Secretaria de Saúde não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a demora no atendimento; o tempo médio de espera dos pacientes; o número de pacientes atendidos por dia e a respeito da falta de sonda endogástrica.

Em um primeiro momento, chegou a perguntar o nome do idoso que aguardou cinco horas na primeira vez em que foi ao pronto-socorro e outras duas horas na segunda vez. Apesar de ter passado o nome do paciente à assessoria de imprensa da Prefeitura, o município não encaminhou resposta sobre a demora no atendimento.


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