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CIDADES
'HOMEM DE FERRO'
Presa quadrilha que assaltou Protege e acusado de assassinar policial

A polícia civil prendeu 16 dos 24 acusados de participação no assalto à empresa de valores Protege, em Araçatuba, em outubro do ano passado, durante a Operação Homem de Ferro, deflagrada na madrugada desta quinta-feira (28), em várias cidades paulistas e nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Goiás. 

Houve ainda outras seis prisões em flagrante, além da apreensão de armas, drogas e R$ 46 mil em dinheiro. A organização criminosa tem ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A megaoperação, cujo nome é em alusão ao super-herói da Marvel e também uma homenagem ao policial civil André Ferro, morto durante o assalto, contou com 600 policiais e o apoio do helicóptero Pelicano da Polícia Civil para o cumprimento de um total de 24 mandados de prisão temporária e outros 147 de busca e apreensão. 

Na região de Araçatuba, foram presos dois homens em Birigui acusados de fazer parte da quadrilha. Foram cumpridos mandados ainda em Guararapes, Buritama, Coroados, Glicério e até em penitenciárias. Um dos homens presos em Birigui é acusado de alugar a casa próxima à Protege, no Bairro Santana, utilizada pelos bandidos para colher informações na região. O acusado também teria ajudado na rota de fuga, pois conhecia bem o distrito de Juritis, em Glicério, onde está localizado o rancho para onde foi a quadrilha cinco dias antes do crime, para recepcionar os outros integrantes da organização. 

A polícia civil estima que a quadrilha tenha entre 25 e 30 bandidos que participaram do assalto à Protege. “Não identificamos todos ainda, mas a partir de agora, nesta segunda fase da investigação, nosso intuito é identificar os demais elementos”, declarou o delegado Paulo Natal, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). 

Edgarzinho, que participou do primeiro roubo à Protege, há 20 anos, também estaria envolvido no último assalto. A polícia descobriu que o filho dele teria feito contato com a quadrilha para receber a parte do pai, que foi preso dias antes do crime. Segundo Natal, Edgarzinho foi responsável por passar informações da região aos outros bandidos, além de recepcioná-los. 

INTELIGÊNCIA 

Para desvendar o crime, a polícia civil utilizou novas tecnologias de inteligência policial durante a investigação, que durou nove meses. A complexidade do caso dificultou o trabalho da polícia, porque a organização criminosa era composta por células compartimentadas e cada uma tinha uma tarefa. Uma delas cuidou do planejamento do crime e outra da execução. 

Havia ainda a célula que providenciou os carros blindados, a que cuidou das armas e a outra que era formada pelos especialistas em explosivos, que detonaram as dinamites na sede da Protege na madrugada do dia 16 de outubro do ano passado. “Muitos dos integrantes da quadrilha não se conhecem, praticaram o crime e foram para as suas cidades. Os chefes se conhecem, mas os que estão abaixo, não, o que dificultou o trabalho da polícia”, pontuou Natal. 

A polícia estima que o roubo à Protege tenha custado R$ 1 milhão aos criminosos, devido ao aparato utilizado na ação, com armas usadas pelo Exército, carros blindados e aluguel de imóveis para abrigar a quadrilha. 

Conforme o delegado da DIG, além de perigosa, a organização tem alto poder econômico, pois atua no furto a bancos, roubo de cargas, em São Paulo, e tráfico de drogas. Membros desta quadrilha também participaram de assaltos a empresas de valores em Campinas, Ribeirão Preto, Rio Claro, Piracicaba e Uberaba (MG). 

DESVENDANDO O CRIME 

A partir do crime, os policiais compareceram ao local dos fatos e, através dos vestígios dos materiais colhidos, tanto nos veículos usados pela quadrilha e abandonados após o crime, quanto no rancho e na casa alugados pelo bando, conseguiram identificar vários integrantes da quadrilha. 

As imagens captadas por câmeras de imóveis próximos à Protege também ajudaram no trabalho de investigação. Foi possível perceber, por exemplo, que os 12 carros envolvidos na ação criminosa davam sinal de alerta. Os veículos que não emitiram sinal e furaram o bloqueio dos bandidos foram alvejados com tiros. 

Diante das provas, a polícia pediu a prisão temporária dos acusados por 30 dias e prorrogáveis por mais 30. Depois, deverá pedir a preventiva. Eles serão encaminhados para unidades prisionais da região para serem ouvidos. 

SEGUNDA FASE 

A segunda fase da investigação, que começa hoje, vai analisar os objetos apreendidos e os depoimentos dos acusados para produzir novas provas contra os detidos. A intenção é também localizar bens materiais como imóveis que foram adquiridos com o dinheiro do crime. 

Se isso ocorrer, será feito o pedido do sequestro destes bens. O assalto à Protege ocorreu na madrugada do dia 16 de outubro de 2017. Utilizando dinamites, os bandidos explodiram a sede da empresa e levaram R$ 10 milhões. Com a explosão, muitas casas foram atingidas e tiveram de ser interditadas.

ACUSADO DE MATAR POLICIAL DO GOE É PRESO 

O acusado de matar o policial civil André Ferro, o vendedor André Luiz Pereira da França, 36 anos, foi preso durante a Operação Homem de Ferro, nesta quinta-feira (28). “Chegamos até ele por meio de ferramentas de inteligência policial”, afirmou o delegado Paulo Natal. 

Conforme ele, André Ferro foi até o local do crime após receber uma ligação de seu pai, que estava na residência de um parente, localizada próxima à Protege. O policial já havia sido convocado para ir à Delegacia Seccional, de onde os policiais sairiam em comboio, após a informação de que bandidos estavam assaltando a empresa de valores. 

Mas, preocupado com o pai, decidiu verificar o que estava ocorrendo. Ao chegar ao local do crime, André Ferro foi rendido pelos bandidos e acabou sendo executado de forma covarde, segundo o delegado. “Ele não apresentou resistência alguma, inclusive aparece nas imagens com as mãos levantadas, mas ele estava armado e acabou morrendo porque era policial”. André tinha 37 anos e atuava no GOE (Grupo de Operações Especiais). Com o acusado, a polícia encontrou R$ 30 mil em dinheiro proveniente e muitas cargas roubadas. 


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