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CULTURA E ARTE
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MÚSICA
Premiada em todo o País, Fama cria entidade e recebe prédio histórico
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A Associação Fama de Artes e Música de Araçatuba, criada em 2014 para coadministrar a Fama (Fanfarra Municipal de Araçatuba) com o município, recebeu da Prefeitura a cessão do prédio histórico construído na década de 1920 para abrigar funcionários da antiga NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), localizado na Rua Rosa Cury, 151, Bairro Santana.

O imóvel, que passou por uma restauração nos anos 2000 para abrigar um museu em homenagem ao violeiro Tião Carreiro, não chegou a receber o acervo do músico, pois não liberado pela família, mas sediou a Secretaria Municipal de Turismo e, desde 2013, é a sede da Fama, que oferece aulas para os seus integrantes e guarda seus instrumentos, uniformes e demais materiais no espaço.

“Percebendo a dificuldade do poder público em manter a Fama, nós criamos a associação e pedimos a cessão do prédio”, explica o coordenador, maestro, arranjador e regente da Fama, Mizael Levi Caetano, 39. O município repassa R$ 7,8 mil por mês para o pagamento dos salários do maestro e de três professores.

A entidade, composta por membros fundadores da fanfarra, é presidida pelo comerciante Pedro Andrade Wanderley, dono da banca do Pedrinho. O principal desafio da associação, agora, é buscar parcerias e recursos do setor privado para restaurar o prédio e realizar melhorias no prédio, que não pode ser descaracterizado por ser tombado e fazer parte do patrimônio histórico e cultural do município.

O imóvel foi construído junto com a antiga oficina de locomotivas (hoje Centro Cultural Ferroviário), no início do século passado, para servir de moradia aos encarregados da estrada de ferro.

Conforme Caetano, a casa precisa, inicialmente, de uma pintura e de uma placa de identificação. O próximo passo será a restauração do prédio e o cimentado para o quintal, que é de terra. “Nosso sonho é fazer uma sala de ensaio no quintal”, diz o regente da Fama. Os ensaios da Fama são realizados na lateral do prédio e, quando chove ou está muito frio, não tem como ensaiar, pois o espaço é aberto.

A casa possui dois pavimentos. São três quartos embaixo e três em cima, além de uma sala no térreo e outra no primeiro andar. Ao fundo do imóvel, há uma cozinha e um banheiro na parte de cima.

Os quartos são ocupados para guardar os instrumentos de percussão e de sopro e também os uniformes. Um deles é destinado para aulas de iniciantes.

AULAS

A Fama oferece aulas gratuitas para crianças, jovens e adultos de qualquer idade. São 80 alunos, de seis a 40 anos, que aprendem a tocar instrumentos de sopro e de percussão (geral, sinfônica e drum corps). No caso do sopro, são oferecidas aulas de trompete, trombone, tuba, bombardino, trompas e fluguelhorn. Há ainda aulas de baliza e coreografia.

As aulas são realizadas às terças, quintas, sextas e sábados, das 16h às 20h, em turmas divididas. Elas são  ministradas por uma equipe de oito professores, sendo que quatro recebem pela Prefeitura e quatro são voluntários.

Aos domingos, são as apresentações. Em ruas e praças, 70 integrantes da Fama se apresentam. Em lugares fechados, o número é menor. “Isso depende do formato da apresentação”, explica o maestro, que está na Fama desde 1994, quando ela foi montada, primeiro como voluntário, depois como maestro. A fanfarra é requisitada para apresentações cívicas, em datas comemorativas, e informais.

O repertório popular vai de Wesley Safadão a James Brown. Eles tocam composições de Alceu Valença, Rita Lee, Dominguinhos, Tom Jobim, Vinícius, Raça Negra, Michael Jackson, Bruno Mars, Aretha Franklin, dentre outros.

Em competições, porém, a Fama toca músicas eruditas. Por isso, os alunos aprendem também música clássica e tocam composições de Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Strauss, entre outros.

“Temos que levar a música para todos os lugares, por isso tocamos de tudo”, explica o maestro.

PREMIAÇÕES

A Fama é considerada uma das melhores fanfarras do País, com mais de 150 títulos conquistados em competições realizadas em várias cidades brasileiras. São títulos regionais, paulistas e nacionais.

Para guardar tantos troféus, um cômodo da sede da Fama é destinado somente para isso. A fanfarra já conquistou prêmios em Brasília (DF), Campo Grande (MS), Campos (RJ), dentre outras localidades.

“A gente viajava muito quando tinha parceria com a Reunidas”, diz Caetano. Mas, segundo ele, a partir de 2014, ficou mais difícil sair para competir, por falta de recursos. Com a formalização da associação, no entanto, a fanfarra poderá cobrar cachê, o que poderá viabilizar sua participação em mais concursos.

 Ele destaca que, além de concorrer com a execução das músicas, a Fama participa também dos concursos que incluem baliza e corpo coreográfico.

Por todas as conquistas, a Fama é bastante respeitada em todo o Brasil. Tanto é que muitas prefeituras convidam a fanfarra para apresentações e fazem questão de enviar ônibus para o transporte e de custear a alimentação dos integrantes.

VIDA

A fanfarra reúne histórias de paixão pela música e pela própria Fama. Uma delas é a da música e professora Elislaine Modesto de Oliveira, 32, que está na corporação desde os dez anos de idade.

Ela entrou na Fama em 1996, junto com a irmã mais velha, na linha de frente, fazendo parte do corpo coreográfico.  A irmã acabou saindo, anos depois, mas ela ficou e passou da linha de frente para o trombone de vara, que toca há 15 anos.

Com sua atuação na fanfarra, decidiu fazer da atividade a sua profissão. Estudou, conquistou a licenciatura em Música e, de aluna, passou a professora na Fama, há seis anos. Trabalha também em outras cidades formando bandas marciais.

“A fanfarra é a minha vida, literalmente. Não sei viver sem ela”, diz, emocionada.

 


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