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PERDENDO A CLASSE: Balé Municipal, que secretária quer mudar de nome, está parado há 3 meses, prejudicando 600 alunas
O universo de tutus, sapatilhas, collants, música clássica e o coque no cabelo com redinha fazia parte da vida da jovem Emily, 14 anos, desde 2015, quando passou a integrar o balé municipal de Araçatuba. De lá pra cá, melhorou a postura, ganhou disciplina e organização e se apaixonou ainda mais pelo mundo do balé clássico.

Só que a Emily e outras 600 alunas do balé municipal estão sem aula desde dezembro do ano passado. Há um contrato vigente entre a Prefeitura e a Stella Maris Academia de Dança até junho deste ano, conforme termo aditivo assinado entre as partes no dia primeiro de junho de 2017 e publicado no site do município. Mesmo assim, as aulas estão suspensas há três meses.

As mães já perderam a conta de quantas vezes foram à Secretaria Municipal de Cultura para saber quando as aulas serão retomadas. A comerciante Renata Mazarioli Ribeiro Nunes, 48 anos, mãe da Emily, disse que, em dezembro, preencheu os papéis da rematrícula da filha e foi orientada a procurar a Secretaria em janeiro, para verificar quando as aulas voltariam. Em janeiro, Renata foi informada que o balé retornaria em fevereiro e, agora, em março, a resposta que obteve foi de que ainda não há previsão para o retorno, pois ainda não foi feita a licitação para a escolha do novo gestor do balé.



Há três meses sem aula, Emily sente falta da dança e da convivência com as amigas que o balé lhe deu. "Ela fica ansiosa, pergunta a todo o momento quando vai voltar a ter aula. Eu acho uma falta de organização da Prefeitura, porque as crianças ficam sem atividade. Já não tem quase nada e aí param tudo?", questiona a mãe.

Ela destaca que a maioria das crianças faz aulas no balé municipal por ser de graça. "Eu não tenho condições de pagar; a escola mais barata cobra R$ 150,00 por mês, fora o uniforme, que é caro", diz. Em 2016, ela disse que ainda recebeu meia e sapatilha, mas no ano passado, foi obrigada a comprar. O collant, por sorte, ainda servia, mas este ano, terá de comprar um novo, quando as aulas retornarem.

Quem está na mesma situação é a pequena Fernanda, de seis anos, que entrou no balé municipal no ano passado. A mãe, Karen Cristina Garcia, 26 anos, que é manicure, diz achar injusta com as crianças a interrupção das aulas. "Eu coloquei minha filha porque ela pediu para fazer balé, ela gostava demais das aulas, funcionava muito bem e, agora, ela está sentindo falta", conta.

Karen tem ido à Secretaria de Cultura desde o início de fevereiro, mas diz que sempre recebe a mesma resposta: "Não tem previsão para o retorno das aulas". Ela destaca que não tem condições de pagar uma academia particular. "Fica muito caro", afirma.



OUTRO LADO

A Prefeitura respondeu, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa,  que "o projeto do balé está passando por um processo de reformulação para ampliação do atendimento e modernização de seu modelo."

A secretária municipal de Cultura e Turismo, Tieza Marques de Oliveira (PSDB), negou que as aulas estejam suspensas há três meses e disse que os alunos estão há apenas 28 dias sem balé. No entanto, o projeto foi paralisado em dezembro do ano passado, após as apresentações de final de ano, e até agora não retornou. Tieza está licenciada do cargo de vereadora desde o ano passado.

"O balé municipal continuará e estará mais revigorado", assegurou a secretária. Ela disse, ainda, que o contrato vigente não atenderia às especificações do novo formato nem à totalidade dos alunos.

O município informou que a aulas serão retomadas em meados de abril e que o processo de licitação para a contratação de uma ou mais empresas para o fornecimento de horas/aula está em andamento. "Estamos aguardando a proposta das academias para darmos andamento na licitação".

O município informou, ainda, que o projeto balé municipal passará a se chamar Escola Municipal de Dança, com a manutenção dos seis pontos de aula na cidade: Casa da Cultura Adelino Brandão; CEMFICA TV; Emeb Fausto Perri; Emeb Antônio Rodrigues Neto; Emeb Roseli de Oliveira e Emeb Egles Gabas de Carvalho.

A ideia, segundo a secretária, é oferecer, além do balé clássico, dança contemporânea, jazz e danças folclóricas. "Outra novidade é que cada núcleo terá um grupo avançado que receberá um número maior de aulas para aperfeiçoamento técnico e poderá representar o núcleo em apresentações", disse. Ela informou também que os núcleos poderão ter academias diferentes para fornecer horas/aulas, dependendo do resultado da licitação.

As inscrições para participar das aulas municipais de dança foram realizadas em janeiro. O município deverá atender até 600 alunos.

DESTAQUES

O balé municipal de Araçatuba já revelou grandes talentos, como o jovem Marcos Novais, que anos depois tornou-se professor do próprio balé municipal. Em 2012, foi selecionado para a renomada Companhia Cisne Negro, de São Paulo; hoje, integra a Augsburg Ballet, companhia de dança com sede na Alemanha.
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