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ECONOMIA E AGRONEGÓCIO
GREVE DOS CAMINHONEIROS
Paralisação zera estoques de etanol e gasolina em Araçatuba e Birigui

A greve dos caminhoneiros e o consequente receio de desabastecimento provocaram uma corrida aos postos de combustíveis em Araçatuba e Birigui nesta quinta-feira (24). A alta procura zerou os estoques de etanol e de gasolina de boa parte dos estabelecimentos.

Nesta tarde, alguns ainda mantinham poucos litros de gasolina nas bombas, mas a previsão é de que sejam vendidos em poucas horas. Não há previsão de chegada de novos carregamentos de combustíveis, pois os caminhões estão parados.

Pela manhã e início da tarde, grandes filas se formaram nos postos de combustíveis. A maioria dos consumidores queria garantir o tanque cheio, com a paralisação por tempo indeterminado dos caminhoneiros.

No Posto Apolo, em Araçatuba, foram vendidos 7 mil litros de etanol entre às 6h e 12h30 desta quinta-feira, volume bem acima dos 2 mil litros que costumam ser comercializados no mesmo intervalo de tempo em dias normais.

Como o carregamento de 15 mil litros de etanol que chegaria na quarta-feira (23) não veio, o posto está com o estoque do combustível zerado. No início da tarde, restavam apenas 2 mil litros de gasolina.

No Uniposto, na Pompeu de Toledo, o movimento foi bastante intenso durante a manhã e início de tarde. No período, foram comercializados 8 mil litros de etanol, restando apenas 2 mil litros. A previsão é de zerar os estoques ainda nesta tarde, por causa da grande procura. O mesmo deve ocorrer com os 3 mil litros restantes de gasolina.

Em Birigui, o Posto Grilo já não tinha mais nem etanol nem gasolina comum por volta das 14h30. Restavam apenas poucos litros de gasolina aditivada, mas a fila de carros aguardando para encher o tanque era grande.

O promotor de vendas Felipe Roter, 24 anos, enfrentou fila para encher o tanque de sua moto, que usa todos os dias para trabalhar em supermercados de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Buritama. Ele é a favor da greve, mas está com receio de acabar os estoques de gasolina e não ter como trabalhar. Por semana, ele gasta 25 litros do combustível.

A operadora de caixa Paula Ribeiro Barbosa Silva, 44, completou o tanque de um de seus carros e voltaria ao posto para abastecer o outro veículo que estava em casa. “Estamos tentando garantir o tanque cheio, porque usamos o carro todos os dias para trabalhar”, disse.

Ela considera a greve um direito dos caminhoneiros. “Eles não estão errados, porque a Petrobras está subindo demais os preços”, afirmou.

MOBILIZAÇÃO

Dezenas de caminhoneiros permaneciam parados no Posto Cacique, em Araçatuba, à margem da Rodovia Marechal Rondon, nesta tarde. Em solidariedade a eles, a população levou doações de alimentos, como arroz, carne, ovo, linguiça, bolacha, óleo, arroz e até leitoa. Eles fizeram churrasco para alimentar os grevistas que se concentraram no local.

Os caminhoneiros afirmam que a greve vai prosseguir por tempo indeterminado, até que haja uma redução nos preços do óleo diesel na bomba. “Não adianta baixar na refinaria, essa queda tem que chegar até a gente”, disse o empresário do setor de transporte Fabiano Giacomelli.

O caminhoneiro Evaldo Baumgartt saiu do Espírito Santo e seguia para Bolívia, onde entregaria uma carga de 25 mil quilos de produtos químicos. “Decidi parar para fortalecer o movimento. Não é só o preço do diesel que tem de baixar, mas tudo, de maneira geral”, afirmou.

O também caminhoneiro Paulo Sérgio Ramos saiu de Presidente Prudente com uma carga de carne que levaria para a lanchonete Burger King de Penápolis, mas parou em Araçatuba e não tem previsão de seguir viagem tão cedo.

O mesmo ocorre com Reno José Alves, 47, que veio a Araçatuba pegar uma carga de fralda que levaria para uma farmácia de São Paulo, mas interrompeu a viagem em solidariedade aos colegas. “A coisa tá feia. Tem que parar mesmo”, disse.

O empresário do setor de transportes Valdemar Bozolan parou os seus quatro caminhões que seguiriam para o porto de Santos com a celulose carregada em Três Lagoas (MS). “Está insuportável o preço do combustível, não dá para trabalhar assim”. Pelas suas contas, o preço do diesel subiu 23% somente no mês de maio, passando de R$ 3,90 para R$ 4,79.

ALIMENTOS

A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) de Araçatuba começa a sentir os efeitos do desabastecimento. Não há mais estoque de repolho e o de tomate já está acabando.

Por dia, são comercializados 23,3 mil quilos de tomate e 6,3 mil quilos de repolho na Ceagesp local, que abastece supermercados de Araçatuba e região. Com a redução na oferta, a tendência é de aumento nos preços nos próximos dias.

 


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