ARAÇATUBA | 22 OUTUBRO
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Parcialmente Nublado - Fonte: CPTEC/INPE
OPINIÃO
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DIVERSIDADE
Parada do Orgulho LGBTI+, tema: "Eleições"
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A maior Parada do Orgulho LGBTI+, realizada no último domingo, 03, teve como tema as eleições e como slogan “Poder pra LGBTI+, Nosso Voto, Nossa Voz”. A justificativa do tema foi a necessidade da eleição de representantes que tenham como programa a defesa dos direitos humanos, em especial os da população LGBTI+, buscando, assim, o desenvolvimento de uma sociedade inclusiva e que respeite a Diversidade, seja ela de raça, cor, sexo, gênero, identidade de gênero ou orientação sexual.

Atualmente, o Brasil, dentre os países que não criminalizam a orientação sexual diferente da heterossexual, ou a transexualidade, é um dos países que figuram como um dos mais perigosos para ser LGBTI+, trazendo grande risco a vidas destes que não seguem a heteronormatividade e cisnormatividade, tradicionalmente impostas.

A Parada do Orgulho LGBTI+ é um evento imprescindível na luta contra o retrocesso e pelo direito de exercer a liberdade individual. Porém, ela não passa despercebida aos olhos de quem não aceita a Diversidade, sendo, como consequência, alvo de diversas críticas e até mesmo de notícias falsas por parte de grupos mais conservadores da nossa sociedade.

Diante de tais fatos, surge a necessidade de representatividade em todas as esferas de Poder Político. No Congresso Nacional, por exemplo, temos apenas um parlamentar que se declara publicamente como sendo homossexual/homoafetivo, levantando a bandeira em defesa da população LGBTI+.

Por ter apenas um parlamentar em nível federal, os direitos individuais da população LGBTI+ ficam ameaçados, pois um dos objetivos é a criminalização da homofobia e transfobia, para que ambas as formas de discriminação sejam equiparadas ao racismo.

Há que se destacar que não estamos desamparados em relação à legislação. Temos, por exemplo, a Constituição Federal da República, Código Civil, Código Penal e também uma Lei Estadual (10.948/01), que punem atos de discriminação em virtude da orientação sexual ou identidade de gênero.

Essa informação é importante para que os autores de qualquer forma de discriminação tenham consciência de que não ficarão impunes e, as vítimas saibam que podem recorrer a estas leis para reparação dos danos.
Para desmistificar preconceitos, também cabe mencionar que diversos setores do Poder Público e Sociedade Civil participam do evento, dentre os quais cabe destacar o Grupo Nacional Mães Pela Diversidade, que tem o seguinte Slogan: “TIRE SEU PRECONCEITO DO CAMINHO, QUEREMOS PASSAR COM NOSSO AMOR!”. E, na Parada, saíram na frente, literalmente, com o seguinte grito de protesto: “Sai, sai da frente. Sai que com as mães é diferente”.

Realmente, é um grupo que sai em defesa de todos os filhos LGBTI+, e pelo fato de serem mães, e pais também, possuem grande representatividade e voz. Defenderam, também, a hastag “#acriançalgbtexiste”, trazendo visibilidade para o fato de que crianças são discriminadas e vitimadas em razão do preconceito, devendo as famílias acolher essas crianças.

A Parada é um evento revolucionário, que tem como objetivo protestar contra toda forma de discriminação em razão da orientação sexual ou identidade de gênero. Mas também é uma grande festa, onde todos podem vivenciar seus afetos, distribuir solidariedade e carinho àqueles que perderam seus familiares, vítimas do preconceito e do ódio.

Além disso, a Parada é um ato em que é possível chorar de emoção, pedindo a intervenção do amor, apenas. O amor, tão falado e pouco praticado, é o sentimento que mais se faz presente no evento.
 

Renan Silva Salviano é advogado, presidente da Agendda (Associação Gênero, Diversidade, Direitos e Afetividade) e membro titular do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Araçatuba.


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