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CIDADES
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ECONOMIA
O primitivo ódio da "sociedade de bem" é tema de jornalista
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Vivemos muito além de uma crise econômica e de representatividade política. A não aceitação da diferença tem extrapolado os limites da ética e da empatia. O repúdio ao que não agrada, no entanto, tem se escondido em caricaturas de "bons valores" espirituais, familiares, etc.

Acontecimentos consolidam e assustam o cenário de total falta discernimento. O exemplo mais recente pode ser usado no falecimento da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Desde o seu AVC (Acidente Vascular Cerebral) até o óbito as redes sociais se encheram de discursos furiosos e repletos de incoerência com quaisquer divergências políticas pelo fato da paciente ser esposa do ex-presidente Lula.

Palavras de baixo calão, piadas indecorosas, insinuações e desejos desumanos de morte e rompimento surreal de tratamento permearam grupos de WhatsApp, Facebook e outras redes sociais. Inclusive um mau exemplo próximo foi de um ex-servidor da Prefeitura de Araçatuba comissionado que ofendeu dona Marisa com palavras indignas de serem replicadas.

Vale falar ainda de uma médica do hospital onde a esposa de Lula estava internada, a qual vazou detalhes restritos aos profissionais nos famigerados grupos do aplicativo de mensagens instantâneas. A  reação acerca da informação foi tão asquerosa quanto. Teve "médico" do grupo que chegou a pedir rompimento de atos clínicos!

No entanto, o mesmo ocorreu do "outro lado". A onda de ódio também atacou militantes do ex-presidente durante os funerais. A imprensa foi duramente ofendida e palavras de morte e repúdio dirigidas a adversários. O ápice ocorreu quando o presidente Michel Temer foi chamado de assassino e insinuações de que a Operação Lava Jato teria matado a petista.

Ambos os lados  jogaram o respeito e a tolerância na lata do lixo.

Todavia, infelizmente eles não estão sozinhos. No país onde o diálogo sempre foi exceção (do Planalto ao bairro popular), as pessoas utilizam covardemente a internet para explicitarem o lado mais nojento para divergir do outro. Para argumentar, utilizam do desejo de morte alheia; para justificar a segurança "dos cidadãos de bem", é rogado que o contraponto seja vítima de atrocidades. A perversidade de sentimentos têm tido nome e perfil (muitas vezes acompanhados de correntes de fé em outras postagens. Santo Deus!).

Isso sem falar dos casos de injuria racial e racismo, que merecem um texto a parte.

O que constrói a força de uma nação é o respeito e a capacidade de não eliminar o outro pelo bel-prazer de não conseguir argumentar pela democracia. Usam de forma insana o nome de Deus, de doutrinas, da família e de outras armaduras demagogas para que a pluralidade seja fuzilada. Muito de nosso atraso nacional se deve a essa mentalidade de Velho Oeste.

Nunca é demais recordar Voltaire: "não concordo com uma palavra de dizeis, mas defendo até a morte o direito de dizê-la". Como escreveram recentemente: o universo conspira a favor de quem não conspira contra o outro.

Cláudio Henrique é jornalista e estudante de História
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