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Marcelo Teixeira: 'A reinvenção do jornalismo e do jornalista'
O jornal Tribuna Impressa, de Araraquara, acaba de fechar as portas. Uma pena. Era um bom jornal. Eu o conheci na década de 2000, quando vivi na Morada do Sol. Tinha redação estruturada, bons profissionais, e saciava minha busca diária por notícias, reportagens, notas, fotos e artigos locais e regionais. Lamentavelmente, é mais um entre tantos periódicos impressos brasileiros que encerraram suas atividades nos últimos anos, como o Jornal do Brasil, a Gazeta Mercantil, o Brasil Econômico e o Jornal da Tarde.

Sinal dos tempos. A oferta de mídia aumentou e, ao mesmo tempo, fragmentou-se. Há mais veículos de comunicação e mais plataformas para consumir mídia. Como diz Leandro Beguoci, "hoje, as pessoas continuam procurando informação, mas muitas reportagens simplesmente chegam até elas por canais que não produzem conteúdo - mas que têm a atenção dos seus usuários. O Google, o Facebook, o Twitter, o YouTube não produzem conteúdo - são plataformas que servem para encontrar e distribuir conteúdo, e representam novos oligopólios de atenção".

Parece estar aí o xis da questão para jornalistas, outros profissionais de comunicação e empresários do jornalismo que ficam "órfãos" com o fechamento de tradicionais periódicos impressos. Falo como jornalista e como empresário do ramo quando digo que os fatos nos dão dicas do que devemos fazer: reinventar. E estou referindo-me às mídias e aos profissionais. Nesta época digital e de convergência de mídias, há cada vez menos espaço para quem sonha em trabalhar exclusivamente com impresso, rádio ou TV, como ocorria antigamente.

A segurança da carteira assinada em uma grande corporação, por um salário razoável, dá lugar aos autônomos, free lancers (frilas), MEIs e microempresas de produção de conteúdo para sites, blogs, perfis, páginas, canais etc. E quem sonhou em ser redator, repórter, editor de texto ou de imagem, repórter fotográfico ou cinematográfico, articulista, deve estar preparado para ser um pouco de tudo e um pouco mais, em mais de uma plataforma.

Apesar de algumas pesquisas apresentarem dados desencontrados, já dá para dizer que grande parte das pessoas usa plataformas digitais, incluindo as redes sociais, como primeira fonte para encontrar conteúdo. O fato é que a atenção migrou das plataformas integradas de produção e distribuição para as plataformas de distribuição e interação. Nós, jornalistas, não temos mais o controle da atenção das pessoas. Precisamos quebrar a cabeça e pensar em como voltar a fazer isso, para levar ao cidadão as informações necessárias para que ele saiba o que ocorre a sua volta e componha o panorama do que vive diariamente, em sua cidade, região, estado, país e no mundo.

A tarefa é complexa, ainda mais diante da certeza de que outros veículos noticiosos impressos locais, regionais, nacionais, segmentados e especializados serão fechados nos próximos tempos - e talvez muito mais rapidamente do que imaginamos. Não estou dizendo que será o fim dos impressos, pois há o fascínio humano pelo papel, mas, certamente, o jornalismo e os jornalistas têm, urgentemente, caso queiram continuar a existir, que se reinventar tanto do ponto de vista operacional quanto administrativo.

*Marcelo Teixeira é jornalista e empresário de comunicação
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