ARAÇATUBA | 21 OUTUBRO
| 6:53 | 15° MIN 29°MAX |
Parcialmente Nublado - Fonte: CPTEC/INPE
OPINIÃO
Anunciante
SAÚDE PÚBLICA
Mais cursos de Medicina não resolvem o problema
Anunciante

A falta de médicos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), prontos socorros e hospitais públicos sempre foi motivo de reclamação, principalmente da população de menor poder aquisitivo, que não tem condições de pagar por um plano de saúde ou uma consulta particular, e depende única e exclusivamente dos serviços de saúde oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para muitos (muito provavelmente, a maior parte das pessoas), a falta de médicos poderia ser resolvida com a abertura de novos cursos de medicina, que, por sua vez, colocaria um número maior de profissionais no mercado de trabalho. Será?

Nos últimos 20 anos, foram abertos no Brasil 218 cursos de medicina – 152 em faculdades privadas. Somente no ano passado, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) autorizou a entrada em funcionamento de 11 novos cursos, com 710 vagas, entre eles o de Araçatuba e o de Penápolis. Atualmente com 311 escolas, o Brasil é o segundo país com mais instituições de ensino médico no mundo, atrás apenas da Índia, que possui 399 e 1,2 bilhão de habitantes.

Obviamente, essa conjuntura promove a inserção de mais médicos no mercado de trabalho, tanto que, segundo levantamento feito pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado em março deste ano, hoje o Brasil conta com 452.801 médicos – razão de 2,18 profissionais por grupo de mil habitantes. Leve-se em conta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza como parâmetro ideal de atenção à saúde da população a relação de 1 médico para cada 1.000 habitantes.

Ou seja, se temos um parâmetro duas vezes maior do que define a OMS, porque faltam profissionais nas UBSs? A resposta para a sua pergunta é que mais da metade desses profissionais se concentra nas capitais, onde vivem menos de ¼ da população brasileira. Já no interior, o número cai para 1,28. Ou seja, o problema não é a falta de médicos, mas, sim a má distribuição deles. Por isso, a abertura de novos cursos não é a salvação da saúde pública do país. Pelo contrário. Levantamentos do próprio Cremesp revelam que o crescimento de queixas contra médicos mais jovens e recém-formados está ligado diretamente à abertura de novos cursos.

Sendo assim, o Cresmesp acaba de conquistar uma significativa vitória junto ao Ministério da Educação: a publicação da Portaria 328, que proíbe a abertura de novos cursos por período de cinco anos. O objetivo é nobre, focar a boa formação médica e o atendimento de excelência à população, antiga reivindicação da categoria. Especificamente no estado de São Paulo, o Conselho questionou, em 2017, a criação de cursos privados em Araras, Guarulhos, Mauá, Rio Claro, São Bernardo do Campo, Osasco e Bauru. Em tratando-se dos cursos de Araçatuba e Penápolis, não há razões para desconfiar da sua necessidade.

A saída proposta pelo Cremesp para garantir a adequada formação dos futuros médicos é a avaliação permanente do ensino destinado a eles, como a realização de um exame nacional obrigatório para alunos e recém-formados em Medicina. O assunto merece reflexão e deve ser debatido à exaustão, em favor do controle rigoroso da formação médica, visando a assistência oferecida à população.

*Flávio Salatino é médico cardiologista e vereador em Araçatuba


Anunciante
O Araçatuba e Região não se responsabiliza pelas notícias de terceiros.
Entre em contato através do telefone ou whatsapp a seguir e saiba como anunciar aqui
(18) 99774 5888
Copyright © 2018 Política e Mais. Todos os direitos reservados.