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POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO
GERAL
LUTO NO SAMBA: ARAÇATUBA PERDE, AOS 82 ANOS, O COMPOSITOR, CARNAVALESCO, CANTOR E POETA JOSÉ ALVES
Morreu por volta da meia-noite e meia desta quarta-feira (18), o sambista, carnavalesco, cantor e poeta araçatubense José Alves, aos 82 anos. Ele sofria de Mal de Alzheimer há seis anos e enfrentava complicações da doença.

Alves foi um dos pioneiros do carnaval de rua de Araçatuba. Compôs sambas-enredos e marchinhas que marcaram a história da Festa de Momo na cidade. Pra começar, nasceu no celeiro do samba araçatubense, no Bairro Santana, mais precisamente na Rua Gonçalves Ledo, em 31 de julho de 1935.

No entanto, antes de cair na folia, teve uma bela trajetória como cantor de orquestras. Começou a soltar a voz aos 12 anos, quando assistia aos ensaios de uma banda. Os músicos se encantaram com sua voz e assim começava a sua trajetória na música.



Ainda adolescente, foi para São Paulo aos 17 anos. Ficava na esquina da Ipiranga com a Avenida São João, ponto de encontro de músicos, à procura de trabalho. Cantava em bares, boates e festas. No repertório, bolero, samba, músicas românticas e internacionais, como "All The Way", imortalizada na voz de Frank Sinatra. Seguiu na profissão de cantar por 20 anos e depois passou a se dedicar à outra paixão: o carnaval.

Entrou na folia pelas mãos do pintor de paredes Juca França, fundador daquela que é considerada a precursora das escolas de samba de Araçatuba, "Juca e sua escola de samba". Era o ano de 1958, ano do cinquentenário da cidade. José Alves aproveitou a data e fez um samba-enredo sobre o tema.
Na época, também compôs a marchinha do lendário bloco "Os Serranos", a pedido de Geny Rico (Não quero mais brincar o carnaval/Se acaso o Serrano acabar/Serrano, é você que todo ano/Anima o carnaval e faz a gente se alegrar.)



Um ano depois, decide criar a própria escola de samba, junto com o ferroviário Vital de Souza, o Parafuso. A agremiação ganhou o nome de Rosa Branca em homenagem às cabrochas que usavam saia branca. Para a Rosa Branca, trouxe o que aprendeu no Rio e em São Paulo, onde frequentava escolas de samba.

Quando o entrevistei, em março de 2012, ele me disse que, em sua contabilidade, sua escola venceu o carnaval 18 vezes, primeiro como Rosa Branca, depois como Acadêmicos do Samba.

Em 1976, decidiu parar com a folia, mas voltou em 1988, ano em que se comemorou o centenário da Abolição da Escravatura. Naquele ano, compôs um samba-enredo sobre o tema para a Unidos da Zona Norte (O negro quer libertação/Há 100 anos a princesa assinou a abolição/Desde então, o negro espera amor e compreensão/ E só recebe preconceito, injustiça e ingratidão). Foi o último carnaval de que participou. Disse que não era mais a mesma coisa, por causa da interferência política no carnaval.

José Alves também escreveu o livro "Estes meus versos são teus", publicado em 1994. Compôs dezenas de canções, uma inclusive, em homenagem ao Pelé, que foi gravada pelo cantor araçatubense Mário Eugênio. "Essa era para fazer sucesso, mas não tive apoio na época", disse, em 2012. Alves compôs também o Hino da AEA (Associação Esportiva Araçatuba).



Nos últimos seis anos, enfrentava o Alzheimer. Era hipertenso e diabético. Tinha dificuldade para falar e em reconhecer as pessoas. Segundo o filho Malcolm Lima, que seguiu os passos do pai na música (ele é compositor e vocalista do grupo Opção 7), José Alves estava bem até a semana passada, mas no domingo começou a passar mal, teve vômitos, tremores e não conseguia mais comer nem tomar seus remédios.

"Meu pai foi meu espelho, me influenciou em tudo e eu tentei seguir os passos dele", diz Malcolm, que é um dos autores do sucesso "Humilde Residência", sucesso na voz de Michel Teló. A música é uma parceria de Malcolm com os compositores Tiago Marcelo, Luis Henrique Paloni e Fernando Paloni, de Adamantina.

O velório de José Alves está sendo realizado na capela da Funerária Cardassi, na Avenida Saudade. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério Jardim da Luz.
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