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JORNALISTA 'PERDE' LUTA CONTRA CÂNCER RARÍSSIMO
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Morreu na noite deste domingo, em Araçatuba, a jornalista Micheli Beraldi Gonçalves, 34 anos, vítima de um câncer raríssimo. Ela passou 56 dias internada no Hospital da Unimed, em Araçatuba, sendo 25 deles em estado de coma induzido, devido à gravidade da doença.

De acordo com o que apurou o Política e Mais, Micheli, começou a apresentar problemas de saúde sentindo, inicialmente, fortes dores nas costas. Ela chegou a passar por especialista da área mas a agressividade do câncer a levou a buscar atendimento emergencial, sendo hospitalizada para exames que acabaram identificando que ela tinha linfoma de células T, que também se confunde com leucemia.

Micheli era casada mas não tinha filhos. Os pais, o marido e seu único irmão, que chegou a fazer campanha em redes sociais pedindo doações de sangue para repor material usado em seu tratamento, lutaram incansavelmente na tentativa, primeiro, de descobrir o que a jornalista realmente tinha, e, posteriormente, no seu tratamento.

Durante o período em que ficou hospitalizada, Micheli foi submetida a duas cirurgias, pelo que apurou a reportagem. Uma delas para a coleta de materiais para realização de biópsia, e outra para conter uma hemorragia interna.

A jornalista enfrentou, além do câncer, infecções que tiveram de ser tratadas antes que começasse a receber quimioterapia para combater diretamente o linfoma. A primeira sessão, teria se dado com a paciente ainda em coma induzido.

Há poucos dias, a equipe médica que cuidava de seu caso chegou a tirá-la do estado de coma, no entanto, permaneceu desta forma por apenas dois dias, sendo novamente sedada. Devido à raridade do câncer de células T e seu diagnóstico que pode se confundir com leucemia, Micheli não resistiu à agressividade da doença.

Seu corpo está sendo velado na capela da funerária Cardassi, na avenida da Saudade, e o velório deverá ocorrer às 17h, no cemitério Jardim da Luz, em Araçatuba.

PICADA DE INSETO

Um, dentre os vários sintomas do linfoma, em especial o de classificação não-hodgkin, que possuem mais de 20 tipos diferentes, são as lesões cutâneas. Em muitos casos, pequenas feridas na pele decorrentes de coceira incessante.

No caso de Micheli, um fato chama atenção e pode ter sido o primeiro indício de que sua saúde precisava de cuidados. Pelo que apurou a reportagem, em novembro do ano passado, ela sofreu uma picada de inseto em uma das pernas e o ferimento não teve uma cura por completo.

O QUE É LINFOMA DE CÉLULA T

De acordo com a Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), o linfoma de células T do adulto (ATL) é um tipo de câncer relacionado à infecção pelo vírus HTLV-I, responsável por atingir as células de defesa do organismo, os linfócitos T.

São quatro os subtipos que a doença pode apresentar: leucêmico agudo, linfoma, crônico ou assintomática (quando não há nenhum sinal da doença). Cada uma delas com características clínico-laboratoriais específicas.

No Brasil, este tipo de câncer é raríssimo. A maior parte dos casos acontece entre crianças e jovens. Para o ano de 2018, conforme estimativa do INCA (Instituto nacional do Câncer), 10.180 brasileiros serão atingidos pela doença, sendo 5.370 homens e 4.810 mulheres.

SINAIS E SINTOMAS

Nos tipos mais agressivos, que são o leucêmico agudo e linfoma, o paciente pode apresentar como sinais da doença aumento dos linfonodos (carocinhos na região do pescoço, virilha e axila); hepatoesplenomegalia (aumento do tamanho do fígado e do baço), infiltração pulmonar; lesões de pele (mudança de textura e coloração) e lesões ósseas (como a hipercalcemia, quando há presença de quantidade excessiva de cálcio no sangue, causando taquicardia, sonolência com confusão mental, diminuição do fluxo urinário e insuficiência renal), assim como infecções constantes.

DIAGÓSTICO

O diagnóstico para este tipo da doença é feito não somente com base nos sinais e sintomas, mas também por meio de alguns exames. A biópsia da medula óssea, quando um pedacinho do osso da bacia é retirado para análise, poderá mostrar importantes alterações celulares. Se a pele estiver com diferentes lesões, é importante também realizar uma biópsia cutânea.

Em uma pequena amostra de sangue de medula óssea, também é possível analisar, com exames de biologia molecular, alterações genéticas específicas nas células doentes, garantindo um diagnóstico mais certeiro quanto ao tipo da doença.

Mas o exame de sorologia será fundamental para realizar o diagnóstico da leucemia-linfoma de células T, porque identificará a presença do vírus HTVL-I.

TRATAMENTO

O tratamento irá depender do diagnóstico e estadiamento da doença. Pode ser indicado antivirais em combinação com medicamento próprio para a doença, sendo administrado por via intramuscular e que pode provocar efeitos colaterais como dores musculares, febre, dor de cabeça, fadiga, náuseas e vômitos.

Em alguns casos, a quimioterapia também é opção. Medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer são utilizados com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes.

Ela pode ser oral ou aplicada direto no sangue, por meio de um cateter. Também pode ser intratecal, quando há a necessidade de fazer com que o tratamento do linfoma chegue ao sistema nervoso central, diretamente por meio do líquido espinhal.

Com informações e textos da Abrale e Inca.
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