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CIDADES
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DILEMA NA SAÚDE
Há 15 dias em PS, paciente com demência vive drama por vaga hospitalar
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Há 15 dias, a família do aposentado Geraldo César Ernica, 60 anos, vive uma situação embaraçosa para quem depende dos serviços públicos de saúde. O idoso, que possui demência, não consegue vaga em um hospital psiquiátrico, apesar de indicação médica para internação. Sem local adequado para tratamento, ele está “internado”, há mais de duas semanas, no pronto-socorro municipal de Araçatuba, à espera de liberação de um leito pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) em uma unidade especializada.

Quem vai ao PS, ouve os gritos de César, em suas muitas crises de agitação. Por isso, quando não está sedado, acaba sendo amarrado com faixas de pano nos dois braços e pernas, para não agredir os profissionais que ali trabalham e também a família. “Os médicos já me disseram que não podem continuar dando muito calmante pra ele, porque pode acometer o pâncreas”, disse a esposa do paciente, Sônia Maria do Prado Ernica.

Sônia já não sabe mais a quem recorrer para conseguir um tratamento que garanta melhor qualidade de vida para o seu marido, que trabalhava como marceneiro e foi diagnosticado com demência há seis anos.

Como não consegue mais cuidar dele em casa, pois ele passou a ficar agressivo, recebeu orientação médica para interná-lo, mas enquanto isso não acontece, teve de recorrer ao pronto-socorro municipal, que é uma unidade de urgência e emergência e não possui estrutura para receber pacientes como o idoso. “Nós fomos acolhidos aqui, mas não é o lugar certo para ele”, afirma.

O problema é que, enquanto não conseguir uma vaga em um hospital, ela não pode sair do PS. “Se eu levá-lo pra casa, perco a fila na Cross e preciso dar início a todo o processo de novo”, explica Sônia, que é vendedora, mas precisou abrir mão do emprego nas últimas semanas para cuidar do marido e tem esperanças de conseguir internar o seu companheiro de 38 anos.

Ela conta que seu esposo chegou a ser encaminhado para o Hospital Espírita João Marchesi, em Penápolis. Entretanto, a família foi informada que ele não poderia ficar lá, porque o caso dele seria neurológico e não psiquiátrico. Outro complicador, segundo Sônia, é que ele usa uma sonda vesical (bolsa para urinar), já que não possui um rim e o outro funciona apenas em 60%.

“O paciente deveria ser admitido em um hospital geral com leito psiquiátrico, para estabilização deste quadro de agitação psicomotora”, afirmou o diretor clínico do João Marchesi, Felipe Sabó, ao Araçatuba e Região.

Segundo ele, o idoso apresenta quadros de agitação, mas o causador deste distúrbio, que ele citou como sendo “Demência de Lewy”, tem origem neurológica. Ele afirma, ainda, que o hospital de Penápolis dispõe apenas de psiquiatras, não de neurologistas.

O médico negou que o fato de o paciente usar uma sonda vesical (bolsa para urinar) seja um impedimento para interná-lo no hospital de Penápolis. “Isso não seria problema, o que ocorre é que não temos neurologista aqui e o caso dele exige este especialista”, afirmou.

Conforme a esposa do paciente, havia uma vaga também em Tanabi, mas a Cross não autorizou a remoção dele para lá. Enquanto aguardam uma solução para o caso de César, os familiares ajudam como podem, inclusive com comida para o paciente e sua esposa. Para ajudar a dar banho no idoso, um irmão dele vai ao pronto-socorro todos os dias.

Segundo a Santa Casa de Birigui, que administra os serviços de urgência e emergência de Araçatuba, o paciente segue assistido por médicos, enfermeiros e assistente social. “Todos os dias, a equipe de profissionais conversa com familiares do paciente. No momento, o pronto-socorro está aguardando via central de vagas estadual para onde o paciente deverá ser transferido”.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa. A pasta respondeu apenas que está levantando informações sobre o caso do paciente e que deve se manifestar nesta quarta-feira (15).


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