ARAÇATUBA | 20 NOVEMBRO
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OPINIÃO
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PARLA!
GOL DE GOLPE
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Bem-vindos a Brasília! Vai começar a mais aguardada partida dos últimos tempos. Pintados de verde e amarelo da cabeça aos pés, os brasileiros se ajeitam nas arquibancadas para acompanhar a eletrizante final. Todos entoam hinos de guerra e fazem danças sincronizadas, ao lado de grandes patos infláveis.

A torcida chia demais quando a zagueira Dilma toca a bola em sua segunda copa consecutiva com a camisa canarinho. Um torcedor grita “vaca!”, o outro berra “vai tomar no cu!”, e assim o estádio inteiro insulta a capitã da seleção. Alguns reclamam que ela pedala demais e não é capaz de comandar a vitória.

Para tirar Dilma de campo, os jogadores Jucá e Machado batem bola e discutem a melhor solução: enfiar o reserva Temer na grande área sozinho e, assim, estancar a sangria do país. Machado acha que é preciso articular bem a jogada, num grande pacto nacional. E Jucá emenda: “com o Supremo, com tudo!”. O jogador Supremo, sempre jogando pela direita, se coloca a postos para dar cobertura.

A torcida se agita com essa nova chance do Brasil e bate muita panela nas sacadas do estádio. O som das panelas ecoa forte, acompanhado pelo grito ensurdecedor de “Fora PT!”. Um frisson toma conta dos homens de bem, e essa energia dá força para os craques bolarem a jogada. 

Mas é tensa a situação nos gramados da capital. A torcida está dividida. De um lado do alambrado, aqueles que querem a substituição de Dilma, dispostos a tudo para que o bracelete de capitã troque de dono. Do outro, aqueles que desejam que ela fique mais dois anos no time, até o final do seu contrato. Com bandeiras verde-amarelas de um lado, e vermelhas do outro, o jogo recomeça no segundo tempo. 

Em nome da moral, de Deus e da família, o time adversário avança sobre Dilma, que é expulsa antes de acabar o tempo regulamentar. Enquanto ela se dirige para os vestiários, a torcida verde-amarela explode e sai às ruas em pleno delírio. Já os torcedores com bandeiras vermelhas deixam o estádio, prometendo vingança nas urnas com a volta do lendário artilheiro Lula.

Com Temer no comando, o Brasil constrói uma ponte para o futuro da competição. Tanto é que os competidores estrangeiros não são mais adversários a serem driblados. Pelo contrário, são escalados para cuidar dos aeroportos, portos e rodovias, além de assumir o petróleo, o setor elétrico e até a Casa da Moeda. 

O jogo está nos acréscimos. Temer e seu time só querem agora garantir a Reforma da Previdência para serem campeões. Menos entusiasmada, parte da torcida verde-amarela se mostra insatisfeita. Porém, agora é tarde. O juiz da partida está de mudança para os Estados Unidos. 

 

Eder Parladore é jornalista, redator publicitário, roteirista, cronista e poeta. Já trabalhou em jornais, revistas, produtoras e agências do interior de São Paulo e Minas Gerais. Prestes a lançar seu primeiro livro de poemas, atualmente também faz parte, como autor e ator, do espetáculo musical “Samborê Barravento”, sobre a importância dos negros e das religiões de matriz africana no Brasil.


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