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ECONOMIA E AGRONEGÓCIO
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MEMÓRIA
Família lança livro sobre centenário da Fazenda Guarita
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Às vésperas de Araçatuba completar 110 anos, o economista e agropecuarista Dario Guarita Filho vai lançar, nesta quinta-feira, o livro “Fazenda Guarita 100 anos - Memória da Noroeste Paulista”. A obra resgata a memória da compra e da formação da Fazenda Guarita, cuja trajetória está intrinsecamente ligada à história de Araçatuba.

Araçatuba tinha apenas oito anos de fundação quando, em 1916, o advogado Cesar Augusto Guarita, tabelião em Jaboticabal, comprou, por 2 contos de réis, os 426 alqueires de uma certa Fazenda Macaúbas, próxima à margem direita do rio Tietê.

As terras pertenciam ao engenheiro canadense Robert Todd Locke, que chegou ao Brasil em 1880 para trabalhar na implantação do ramal ferroviário da Noroeste do Brasil e as recebeu como pagamento pelo trabalho realizado. A gleba adquirida por César foi registrada como,  Fazenda Futuro e os seus sucessores deram-lhe o nome definitivo: Fazenda Guarita.

Com 207 páginas e ilustrado com fotografias históricas e atuais que revelam as belezas naturais e a arquitetura da propriedade reconhecida como uma das referências no país em criação de gado Nelore puro de origem, o livro escrito pela jornalista Teté Martinho celebra os 100 anos da Fazenda Guarita, completados em 2016.

QUINTA GERAÇÃO

A propriedade segue viabilizada em todas as áreas de atuação e despertando o interesse da quinta geração da família, representada pelos netos de Dario Guarita Filho, e seus irmãos.

“É muito difícil encontrarmos hoje uma fazenda que permanece cem anos nas mãos de uma mesma família”, afirma Guarita Filho, que integra a terceira geração à frente da propriedade e aponta a perseverança como fator determinante para um histórico familiar tão longevo. 

“Condições climáticas aliadas às crises econômicas do país obrigaram a maioria dos fazendeiros a vender suas terras na segunda metade do século passado”, lembra Guarita Filho.

Seu irmão mais velho, César Luís, e o sobrinho Fernando Levy, filho de sua irmã Sônia Helena, também já estiveram à frente da administração da fazenda.

OBRA

Compartilhar a história do pioneirismo de sua família e ao mesmo tempo parte da história de Araçatuba e região é um desejo que Guarita Filho começou a realizar em 2016, quando iniciou a roteirização do livro e encontrou a profissional adequada para escrever a saga que se destaca pelo amor e dedicação das cinco gerações de sua família em relação ao legado de seus ancestrais.

“Foram dois anos de pesquisas, entrevistas, seleção de fotos históricas e produção de fotos atuais”, conta.

A obra recebeu apoio da Lei Rouanet com patrocínio da D. Carvalho. Os livros serão entregues gratuitamente aos convidados do lançamento e doados para bibliotecas públicas e de escolas e universidades de Araçatuba, Santo Antônio do Aracanguá, Birigui, Guararapes, Valparaíso e Jaboticabal.

De acordo com a escritora Teté Martinho, “olhar para o processo de formação e desenvolvimento da propriedade de Araçatuba é uma oportunidade de revisitar os muitos contextos nos quais, de uma forma ou de outra, sua história se insere, entre eles, o crescimento exponencial de São Paulo”.

 

DARIO FERREIRA GUARITA ASSUME GESTÃO DA GLEBA EM 1928

O primeiro ciclo sucessório ocorreu anos após a compra da gleba. Com a morte de sua esposa, Edwiges, César Guarita decidiu passar a propriedade da fazenda para seus 10 filhos, todos homens, porém sem nenhuma identificação com a atividade agropastoril.

A tarefa acabou sendo repassada em 1928 para Dario Ferreira Guarita que, aos 21 anos e bacharel em Direito, assumiu o cargo de 1° Tabelião e Escrivão de Araçatuba e se mudou para a cidade.

A proximidade com as terras, na época localizadas no município de Araçatuba (hoje estão sob os limites territoriais de Santo Antônio do Aracanguá), transformou o jovem tabelião em gestor natural da fazenda.

Dario Guarita gostou da experiência e aos poucos adquiriu as participações de seus irmãos, transformando a Fazenda Futuro em Fazenda Guarita. Seu estilo inovador imprimiu uma identidade igualmente vanguardista à propriedade.

GADO NELORE

Foi um dos pioneiros na criação de gado Nelore ao trazer para a região em 1950 as primeiras matrizes e reprodutores da raça. O jovem fazendeiro também é um dos introdutores do capim colonião nas pastagens.

O empreendedorismo de Dario Guarita não ficou restrito à sua propriedade. Em 1951, depois de acirradas críticas ao governo federal em relação ao plano nacional de localização de frigoríficos, somou esforços com pecuaristas locais e da região para a construção do Frigorífico T. Maia, inaugurado em 1957. 

SIRAN

Defensor do associativismo rural, sem representatividade na época, Dario Guarita foi fundador do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) e cofundador da Associação dos Criadores de Gado Nelore.

Em 1965, foi indicado para a Missão Parlamentar Brasileira que visitou a Índia e o Japão. A experiência o habilitou a integrar a diretoria do Sindicato da Indústria de Frios do Estado de São Paulo e o Conselho Representativo da Indústria Nacional.

REVOLUÇÃO DE 1932

O livro “Fazenda Guarita 100 anos - Memória da Noroeste Paulista” também destaca a atuação de Dario Guarita na Revolução Constitucionalista de 1932. Subcomandante do 4º Batalhão do Regimento 9 de Julho, o capitão Dario Guarita comandou o pelotão araçatubense que saiu da cidade em apoio às tropas revolucionárias.

Guarita se afastou dos negócios e das funções de representatividade em 1968 e passou a residir em São Paulo. Em 1981, foi homenageado pela Câmara Municipal de Araçatuba com o título de Cidadão Araçatubense.

Faleceu em dezembro de 1985. Entre as várias homenagens póstumas, teve seu nome eternizado em Araçatuba em um prédio que retrata muito bem seu estilo de vida arrojado e dinâmico: o “Aeroporto Estadual Dario Ferreira Guarita”.

 

DONA IDA ENFRENTOU 'FAROESTE' NOS ANOS 1930

O livro também resgata a memória de outro nome importante da história de Araçatuba e que o destino inseriu na saga dos Guaritas: Dona Ida. Foi com Margarida, carinhosamente chamada de Margô, uma das filhas do casal Luiz de Almeida e Ida Maiani de Almeida, que Dario Ferreira Guarita se casou e com quem teve três filhos: César Luís, Sônia Helena e Dario Guarita Filho.

Luiz de Almeida era médico em São Paulo, mas, desencantado com os poucos recursos que a medicina oferecia para o tratamento das doenças da época, decidiu largar tudo em 1931 após comprar a Fazenda São Joaquim, em Araçatuba, que na época tinha 23 anos de fundação.

MORA E ULISSES

Mudou-se para a cidade juntamente com a esposa Ida e os filhos mais novos. Ao todo, o casal teve Luiz, Alberto, José, Anita, Margô e Ida, que em família era chamada de Morinha. Anos depois, ela ficaria nacionalmente conhecida como dona Mora, a esposa do deputado federal Ulysses Guimarães. Ambos faleceram em um acidente aéreo em 12 de outubro de 1992.

ZOOLÓGICO

Luiz de Almeida foi empreendedor na Araçatuba que começava a dar os primeiros passos rumo ao desenvolvimento. Além da Fazenda São Joaquim, propriedade cuja sede e curral dos animais ficavam onde hoje é o zoológico municipal, o médico fez alguns loteamentos, dentre os quais a área que ficaria conhecida depois de sua morte como “Patrimônio Dona Ida”, atual bairro Santana.

A morte prematura de Luiz de Almeida colocou sua esposa, dona Ida, à frente dos muitos negócios da família.

GESTORA

A sogra de Dario Guarita é lembrada no livro como uma mulher que administrou o patrimônio da família com coragem e determinação, porém sem perder a doçura, característica que conquistou inúmeros amigos e admiradores.

“Foi uma mulher extraordinária. Alegre, bonita e elegante, enfrentou o autêntico faroeste que a região era na época”, afirma Guarita Filho ao falar sobre os traços marcantes de sua avó materna.

Em 1950, dona Ida vendeu a Fazenda São Joaquim para J. J. Abdala e se mudou para São Paulo, onde faleceu em 1997. Seu nome foi eternizado em uma das ruas do bairro Santana.

 

 

 

 

 

 

 


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