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ECONOMIA
Direita x esquerda: a confusão no posicionamento
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Em uma sociedade que debate tudo e mais um pouco (ou tenta), um dos posicionamentos mais confusos e passionais se tornou a "bola da vez": fulano é de esquerda ou de direita? A taxação do posicionamento ideológico é essencialmente cheia de títulos pejorativos, praticamente uma coroa de espinhos colocada por outrem durante acalorados diálogos, essencialmente digitais.

Mas afinal: o que é ser de esquerda e de direta? Quais os perigos e bônus contidos em rótulos usados hoje como indicativos em questões polêmicas da política, segurança pública, saúde, educação, religião, etc?

Inicialmente, vale ressaltar que em muitos casos as intitulações são ruminadas sem qualquer conhecimento sobre as definições políticas; com certeza você já encontrou alguém que chamou a pessoa de "esquerdopata", "comuna", "esquerda caviar", "petralha" ou ainda de "coxinha", "reaça", "tucanalha", "golpista", "vendido" e por aí vai. Nas rotulações de esquerda e de direita sobram verbetes ofensivos e faltam pontuações históricas e politizadas.

Vale lembrar que as definições remontam a França pós-revolução, no Século 18, onde os mais abastados ficavam à direita da Assembleia Constituinte e os mais pobres à esquerda. Ambos não se misturavam, e absorveram essa segregação a ferro a fogo. Surgia aí o conceito de que burguesia são os ricos e os trabalhadores a classe oprimida.

Segundo especialistas, a pessoa ligada aos pensamentos esquerdistas acredita que força da coletividade política, econômica social e eclesial para o alcance de direitos e lutas pelas liberdades como reparação de justiça, muitas vezes num Estado forte e que, na teoria, deve ser capaz de assegurar as políticas públicas igualitárias. Nesse grupo são enquadrados os pensamentos progressistas, sociais-democratas e alas socialistas e comunistas, nas mais variadas radicalizações e conciliações.

Em contrapartida, os pensamentos da direita defendem o Estado mínimo e a liberdade individual como marcas de autonomia para o desenvolvimento, crendo que o Estado é por muitas vezes corrupto e defensor de interesses apenas de seus gestores. A meritocracia e a não necessidade de um governo a interceder pelas pessoas em tudo são pontos de destaque para correntes capitalistas, liberais, neoliberais e conservadoras, observando também as devidas radicalizações, como no outro grupo citado no texto.

Como se vê, são quadros complexos para serem avaliados em textos simplistas de redes sociais, como em casos onde são debatidos os direitos humanos, a educação crítica, as medidas penais e socioeducativas, entre outros. Comumente você já leu que direitos humanos são defendidos por esquerdistas "que têm pena de bandido" ou ainda que os direitistas são defensores de regimes autoritários e "odeiam pobres", certo? São indicativos que só ajudam a criar um clima hostil e cheio de pré-conceitos.

O ser humano como pensador e ator social vai muito além de rótulos impostos de forma até infantil. É completamente normal você se identificar com elementos mais à esquerda ou à direita, tendo inclinações a ambos os lados dependendo do assunto. Pobre daquele que nunca reflete seus posicionamentos e acha que já está pronto em sua personalidade.

Mas trazendo para a política: como estão os quadros de esquerda e de direita no Brasil? O debate do país fica muito restrito a tudo que foi citado até aqui, e hoje é praticamente impossível saber qual partido é de esquerdista ou direitista. As origens trazem elementos mais nítidos, porém o fisiologismo do poder descaracteriza os edis, os quais estão cada vez mais distantes da população, que deseja se ver representada, seja do lado canhoto, seja do lado destro.

Bandeira ideológica é a tradução do posicionamento da pessoa e deve ser respeitada. Mas quando dela deixa de ser um diferencial democrático e se torna uma irracional forma de imposição algo está errado. De que vale empenhar os valores se eles só servem para ganho próprio? Talvez a mesquinhez seja a resposta para tanto desgosto do cidadão com a política.

Cláudio Henrique da Silva Ferreira é jornalista e estudante de História
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