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POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO
ECONOMIA
De onde você tirou isso? Artigo do jornalista Marcelo Teixeira
Os meios de comunicação de massa têm o poder de rapidamente criar heróis, sucessos de audiência e vendas, assim como o de aniquilar reputações (e em um período de tempo bem menor do que nos primeiros casos). A mídia pode gerar efeito manada (comportamento que descreve situações em que indivíduos em grupo reagem todos da mesma maneira, mesmo que não exista uma direção planejada) para situações construtivas, como correntes solidárias, e também para debates inócuos e mesmo ações destrutivas.

A reflexão proposta aqui é recorrente. Foi assim quando surgiu o rádio e depois, a TV. É assim agora, com a avalanche de informações veiculadas por meio de sites, blogs e redes sociais. O escritor italiano Umberto Eco disse que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio, pois ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário. Em entrevista à revista Época, afirmou que a internet ainda é um mundo selvagem e arriscado, pois tudo nela surge sem hierarquia.

Mas, diante de tantos dados, textos, fotos e vídeos, como saber o que é fato, boato, fofoca, verdade ou mentira? Como triar a informação? A melhor orientação que posso dar é uma regra básica do bom jornalismo: tenha fontes. São a elas que o jornalista recorre para descobrir pautas ou levantar dados fundamentais para a elaboração da reportagem. Podem ser pessoas, perfis, fanpages, blogs, sites. Precisam ser confiáveis. Trata-se de algo tão sério na profissão, que o jornalista tem proteção da lei para não revelar suas fontes.

No entanto, esse sigilo é utilizado somente em casos específicos, nas quais a revelação é prejudicial à relação entre jornalista e fonte, ou oferece riscos à fonte. Via de regra, o jornalista tem que citar onde ou com quem busca os dados que disponibiliza, pois isso dá credibilidade ao que ele divulga. Boas fontes são meio caminho andado na carreira do jornalista, notadamente produtores, repórteres e editores. O restante fica por conta do profissional, de sua perspicácia, força de vontade, estudo, conhecimento, técnica etc.

Da mesma forma, quem não é jornalista pode (acredito que deve) adotar postura semelhante para não cair no descrédito. Na prática, não é recomendável compartilhar textos, áudios, vídeos, links e postagens sem saber de onde vieram ou mesmo se são autênticos. É compreensível passar para frente informações e notícias que se acredita ter relevância para o círculo de amizade, colegas de trabalho ou seguidores. Porém, a divulgação de dados imprecisos (até distorcidos) ou falsos, e de mensagens atribuídas a outras fontes, é uma irresponsabilidade.

A menos que seja uma atitude deliberada - aí passa a ser uma questão de caráter -, esse tipo de ação é um desserviço com potencial para transformar mentiras em verdades. Notícias falsas têm um potencial devastador. Elas saem de controle, ajudam pessoas desavisadas a construir opiniões, criam tensões absolutamente desnecessárias.

Ainda que você não seja jornalista, existem técnicas que podem ajudá-lo, como a busca da fonte original da informação, o cruzamento de dados, no caso de mais de uma fonte, e a verificação da data de publicação do texto ou documento original. Usando como parâmetro o jornalismo de boa qualidade, que é feito a partir da apuração exaustiva dos fatos, da verificação com as fontes, antes de "vender o peixe que comprou" confirme a veracidade da informação, verifique se a mensagem que recebeu menciona autoria ou link, e cheque.

Tenha a certeza que é a atitude certa a tomar.

*Marcelo Teixeira é jornalista e empresário do setor de comunicação corporativa
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