ARAÇATUBA | 14 DEZEMBRO
| 12:56 | 21° MIN 34°MAX |
Poss. de Panc. de Chuva a Tarde - Fonte: CPTEC/INPE
CULTURA E ARTE
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PARLA!
Conversa entre Franciscos
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- Olá!

- Oi, coração!

- Meu caro amigo, eu quis até telefonar, mas a tarifa não tem graça. Ando aflito pra fazer você ficar a par de tudo que se passa. Me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita. Essa onda de assaltos está um horror!

- Eu sei... Muita mutreta pra levar a situação que a gente vai levando!

- É... É pirueta pra cavar o ganha-pão! É forma de escravidão... A infinita pobreza!

- Bem sei! Nunca mais cinema... Nunca mais drink no dancing... Nunca mais feliz...

- Tem certos dias em que eu penso em minha gente, e sinto assim todo o meu peito se apertar. E eu, que não creio, peço a Deus por minha gente, humilde... Que vontade de chorar!

- Já perdi a conta de tanto rezar!

- Esse silêncio todo me atordoa, essa palavra presa na garganta... Tanta mentira, tanta força bruta!

- Ninguém segura esse rojão, amigo!

- Você sabe. Ele foi o chefe mais amado da nação, liderando os liberais. Foi o pai dos mais humildes brasileiros, lutando contra grupos financeiros e altos interesses internacionais. Deu início a um tempo de transformações, guiado pelo anseio de justiça e de liberdade social. E encheu de brios todo o nosso povo!

- Pois hoje só dá erva daninha no chão que ele pisou.

- Agora é essa gente ordeira e virtuosa que apela pra polícia despachar de volta o populacho pra favela. “Tem que bater, tem que matar!”

- Meu caro, filha do medo, a raiva é mãe da covardia.

- Eu quero ver, um dia, o pobre e o rico andando junto, mão e mão. Que nada falte! Que nada sobre! O pão do rico e o pão do pobre. Eu quero ver, um dia, todos trabalhar e, ao fim do dia, ter onde voltar. E ter amor. Eu quero ver a paz. Tristeza nunca mais!

- Quem te viu, quem te vê!

- E essa zoeira dentro da prisão? Crioulos empilhados no porão! Como beber dessa bebida amarga? Olha, quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!

- Aquela esperança de tudo se ajeitar? Pode esquecer!

- O que é que a vida vai fazer de mim? Não quero seguir definhando sol a sol. Vou até o fim. Nunca é tarde! Nunca é demais!

- Será? O que será, que será? Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora.

- Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo. Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal! Nossa turma é da verdade. E a verdade vai vencer!

- Ilusão... Veja as coisas como elas são!

- Bom, não dá pra falar muito agora. Eu acho que vou desligar.

- Okay!

- Pintou uma chance legal, um lance lá na capital. Assim que o inverno passar, eu acho que vou te buscar. Estou me sentindo tão só!

- Não se afobe, não, que nada é pra já. Estamos aí! Cê sabe que a casa é sempre sua. Venha sim!

- Um beijo na família, na Cecília e nas crianças! A todo pessoal!

- A Marieta manda um beijo para os seus.

- Adeus!

- Bye bye!

 

EDER PARLADORE é jornalista, redator publicitário, roteirista, cronista e poeta. Já trabalhou em jornais, revistas, produtoras e agências do interior de São Paulo e Minas Gerais. Prestes a lançar seu primeiro livro de poemas, atualmente também faz parte, como autor e ator, do espetáculo musical “Samborê Barravento”, sobre a importância dos negros e das religiões de matriz africana no Brasil.


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