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CIDADES
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APÓS UM ANO
Centro de Reabilitação de Animais Silvestres volta a funcionar
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Um ano após ter as suas atividades paralisadas, o Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Silvestres (Ceretas) da Unesp de Araçatuba volta a receber animais vítimas de acidentes para tratamento e posterior soltura em seu habitat natural. A reabertura foi possível por meio de uma parceria técnico-científica entre a Faculdade de Medicina Veterinária e a Associação Mata Ciliar, organização não-governamental com sede em Pedreira (SP), que passa a ser a responsável pelo espaço.

Inaugurado em 2011, o Ceretas foi construído no Campus da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp com recursos de usinas de açúcar e álcool da região, como forma de reduzir o passivo ambiental destas empresas, que seriam responsáveis pela manutenção do local.

Com a crise no setor sucroalcooleiro e a troca no comando destas usinas, a parceria não foi adiante, o que inviabilizou o funcionamento do espaço, já que a Unesp não dispunha de recursos em seu orçamento. As atividades foram suspensas no início de 2017.

Com a parceria entre a Faculdade de Medicina Veterinária e a Mata Ciliar, o Ceretas passa a ser um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Associação. A intenção é receber os animais acidentados que necessitam de ajuda emergencial, segundo a coordenadora de fauna da entidade, Cristina Harumi Adania, que é médica veterinária.

Ela explica que, na maioria das vezes, os animais são vítimas de queimadas, atropelamentos e choques elétricos. Dentre as espécies mais comuns estão lobo-guará, tamanduá-mirim, onça-parda, aves, cachorro-do-mato, seriema e capivara. O Cras só recebe animais vindos dos órgãos competentes, como Polícia Militar Ambiental, Bombeiros, Defesa Civil e Guardas Municipais. Não são aceitos animais de particulares.

 “São muitos os acidentes que eles enfrentam. Às vezes, vão parar na cidade, locais de onde não conseguem sair, e é necessário um resgate”, explica Cristina. Entre 30% e 40% destes animais conseguem retornar à natureza. “A taxa está aquém do que gostaríamos, porque muitos deles chegam em condições péssimas, com fraturas e outros problemas”.

Na última semana, uma capivara, uma seriema e uma raposa estavam em recuperação no Cras de Araçatuba. A raposa era órfã e teve um problema em um membro; a seriema sofreu uma fratura de membro e teve de ser amputada; a capivara, que teve a mãe e um irmão atropelados e mortos, teve uma fratura no membro anterior, passou por cirurgia e está em recuperação, segundo a veterinária do Cras, Amanda Alessandra De Lino.

A Mata Ciliar faz o manejo de resgate dos animais e dá os primeiros atendimentos emergenciais. A Unesp, por sua vez, disponibiliza seu hospital veterinário para cirurgias e exames, além dos especialistas que ali atuam, como oftalmologistas e ortopedistas, residentes e estagiários. “Os animais vão estar muito bem amparados”, destaca Cristina.

COOPERAÇÃO

O diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp de Araçatuba, Max de Araújo Faria Júnior, conta que já conhecia o trabalho da Mata Ciliar, porque o Ceretas encaminhava animais para lá e alguns alunos da instituição fizeram residência na Associação. Ao buscar parceiros para viabilizar a reabertura do Ceretas, procurou a entidade e iniciou as negociações, que duraram cerca de um ano.

O convênio foi assinado há cinco meses e, agora, a Mata Ciliar está providenciando o credenciamento do centro de reabilitação de animais silvestres de Araçatuba na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo para assumir o espaço.

“Esta cooperação técnico-científica entre a Faculdade e a Associação é o mais importante. A Mata Ciliar tem uma expertise muito grande nesta questão ambiental. Teremos um trabalho de educação ambiental na região com as escolas, treinamento para correta contenção de animais e o Cras estará aberto para os alunos de graduação, mestrado e doutorado desenvolverem pesquisas”, afirma Faria Júnior.

MATA CILIAR

A Mata Ciliar é uma ONG ambientalista com 31 anos de fundação. Os trabalhos começaram com matas ciliares, florestas que existem em cursos d’água, como nascentes, córregos e rios. A preocupação inicial da entidade era com a água, por isso um dos principais trabalhos era a produção de mudas de árvores nativas para programas de reflorestamento e recuperação de matas ciliares, que são as principais responsáveis pela qualidade e quantidade de água.

No entanto, a entidade percebeu que não adiantava apenas plantar as mudas. Era necessário também mantês-la em pé, para que pudessem crescer e produzir sementes. A ONG, então, passou a fazer um trabalho de manutenção e de educação ambiental, quando percebeu que as florestas se tornaram vazias, porque faltava a fauna e toda a biodiversidade que mantinha estas florestas, os animais.

“A cada dia os animais estavam sendo retirados da natureza e não existia um trabalho de pessoas que pudessem atender, dar suporte e tentar restabelecer aquela fauna”, conta Cristina. A partir daí, criaram os primeiros Cras do Estado de São Paulo, em Pedreira, Jundiaí e Bragança Paulista, que atendem animais de várias outras cidades, com quem mantêm parcerias.

 

 

ENTIDADES BUSCAM PARCEIROS PARA EQUPAR E MANTER CENTRO DE REABILITAÇÃO

A Associação Mata Ciliar pretende buscar parcerias com prefeituras para manter o Cras de Araçatuba, como ocorre em suas outras unidades localizadas em Bragança Paulista, Jundiaí e Pedreira. De outro lado, a Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp de Araçatuba também deverá buscar parcerias com a iniciativa privada para terminar de equipar a estrutura do antigo Ceretas.

Além dos gastos com um veterinário que permanece de plantão e um tratador, a entidade terá ainda os custos com alimentação, medicamentos e equipamentos, como material de contenção, caixa de transporte e recinto dos animais.

“A ideia é firmar parcerias com os municípios que enviarem seus animais para o Cras de Araçatuba, da mesma forma como fazemos em nossas outras unidades”, afirma a coordenadora de fauna da Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania.

TRATAMENTO ATÉ A SOLTURA

Cristina explica que, quanto mais cedo a soltura do animal em seu habitat, melhor. Mas tem muitos que ficam mais de um ano no Cras, como foi o caso de uma onça-parda da região de Araçatuba que foi levada para a unidade de Jundiaí, após ser atropelada e sofrer fraturas de costelas e em um dos membros.

“Ela teve que ser tratada. Por noite, um animal desses pode andar até 40 quilômetros de distância, imagine ela ficar confinada para tratamento”, descreve. “Depois, veio a reabilitação. Para isso, temos recintos adequados para que ela pudesse se exercitar e apresentar comportamentos normais da espécie e só depois voltar ao habitat”, explica.

ESTRUTURA

O antigo Ceretas e agora Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) possui centro cirúrgico, UTI, ambulatório, laboratório clínico, sala de raio X, estrutura pra contenção de animais com jaulas pensadas para garantir o bem-estar animal. Possui ainda alojamento e cozinha para os funcionários.  

Apesar da boa estrutura do espaço, faltam equipamentos para o centro cirúrgico, a UTI e a sala de raio X, por isso, os animais que precisam de cirurgias e exames estão sendo atendidos no Hospital Veterinário da Unesp.

 “Mas não é uma boa prática usar uma estrutura que tem pet com animal silvestre, do ponto de vista da sanidade, daí a necessidade de equipar a estrutura do Cras”, afirma o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp de Araçatuba, Max de Araújo Faria Júnior.

Segundo ele, a ideia é buscar parcerias para que o Cras seja totalmente equipado e que os animais silvestres possam ser atendidos em seu próprio espaço.

 


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