ARAÇATUBA | 26 MAIO
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CIDADES
DE UMA EM UMA
Casal de Araçatuba vende trufas para realizar casamento dos sonhos

Quem via um jovem pelos bares de Araçatuba oferecendo trufas de mesa em mesa, logo pensava: “É mais uma vítima do desemprego lutando para sobreviver”. Mas bastava o vendedor se aproximar para perceber que o motivo era outro. Luiz Alberto Gomes de Carvalho Júnior, 24 anos, não estava desempregado e a venda dos doces tinha um objetivo mais que especial: realizar o sonho de levar sua amada, Lívia Fernanda Yabuchi Massaro, 24, ao altar.

E foi vendendo trufas durante três meses, na noite araçatubense, que eles oficializaram a união (os dois moram juntos há quatro anos e tem dois filhos, Guilherme, de dois anos e nove meses, e Analu, de um aninho e quatro). Foram pouco mais de 3 mil trufas, vendidas a R$ 3,00, que possibilitaram a realização do sonho dos dois. 

Evangélicos, os dois entenderam que estar casados é mais do que uma mera formalidade. “Para nós, é uma obediência espiritual, por isso, decidimos colocar a casa em ordem”, contou Luiz Alberto. Foi em fevereiro que decidiram se casar, mas a noiva fazia questão da festa.

A ideia de vender trufas surgiu quando o casal percebeu que o salário de Luiz Alberto como vendedor de TV por assinatura não daria para custear as despesas do grande dia. Lívia já sabia fazer trufas, pois aprendera com a mãe e, inclusive, quando criança, chegou a vender para as amiguinhas da escola. Ele, por sua vez, comunicativo e experiente em vendas, comercializaria os doces. 

A rotina era dura. Depois de trabalhar oito horas durante o dia, Luiz Alberto chegava em casa, pegava o seu material de trabalho (um isopor com as trufas embaladas e preparadas pela Lívia) e seguia de carro para os bares e restaurantes da cidade. Lívia conciliava os afazeres de casa e os cuidados com os filhos com a fabricação das trufas.

Ao abordar as pessoas, Luiz apresentava os produtos, nos mais variados sabores (brigadeiro de colher, beijinho, limão, mousse de maracujá, puro ninho, chocolate com morango, ninho com morango, paçoca, charge e napolitana), fazia a oferta de uma trufa por R$ 3,50 ou três por R$ 10,00, e dizia que a renda era para financiar o seu casamento. Claro que ouviu alguns nãos como resposta, mas os mais de 3 mil “sins” viabilizaram o seu sonho.

A festa foi no dia 12 de maio, em uma chácara alugada, em Araçatuba. Uma cerimônia emocionante, com direito aos votos de amor eterno dos noivos, lágrimas de alegria, música, iluminação, comida e bebida. 

Os noivos alugaram a chácara por dois dias, porque se casaram na véspera do Dia das Mães, o que era mais um motivo para comemorar. Para a festa, não contrataram um bufê, apenas uma cozinheira e dois garçons. No cardápio, arroz temperado e arroz branco; cupim ao molho madeira; salada verde com frutas; nhoque com molho à bolonhesa e ao molho branco com brócolis e bacon; maionese; bolo e docinhos. De entrada, uma mesa de frios com direito a sushi, escondidinho de frango, queijos e outras delícias.

Lívia se casou com um vestido de madrinha que alugou. Ele usou terno, exigência da noiva. Os pequenos Guilherme e Analu foram os pajens dos pais e também usaram roupas especiais. Até o salão de beleza para preparar a noiva para o grande dia foi pago com o dinheiro das trufas, assim como as lembrancinhas dos padrinhos e o pacote de pé e mão que ofereceu às madrinhas.

A bebida da festa, o casal ganhou de um irmão da igreja, que doou os refrigerantes. Os anfitriões não contrataram decorador (eles mesmos decoraram o local da festa), mas fizeram questão da música ambiente. Os principais gastos, segundo os noivos, foram com o aluguel e a comida – cada um custou R$ 1,5 mil. 

“A gente tinha planejado se casar com R$ 3 mil, mas não tinha ideia de que tudo era tão caro”, contou o noivo. Ao final, os gastos chegaram a R$ 9,5 mil, tudo arrecadado com as vendas das trufas. “Não teria condições se não tivesse uma renda extra”, diz Luiz Alberto. Por noite, ele chegou a vender 140 trufas, mas a média era de 80 a 100 trufas/noite.

A cerimônia reuniu 120 convidados, a maioria de familiares. A mãe do noivo, que mora nos Estados Unidos, fez questão de vir para o casamento. Foi uma festa simples, mas marcante na vida dos noivos. “Estávamos ansiosos para viver este momento com a alma e o coração”, afirmaram. 

Os noivos escreveram os próprios votos e se emocionaram muito durante a cerimônia. Eles prepararam até um tapete branco com o versículo bíblico de Coríntios: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria...”

A única coisa que faltou foi a viagem de lua de mel, pois não sobrou dinheiro. Mas isso, para os noivos, não é problema. A ideia é continuar vendendo trupas, porque com a renda extra, eles esperam poder viajar, comprar um carro novo e oferecer uma boa qualidade de vida para os filhos. “Gostamos muito da experiência de vender, fazer contatos, conhecer pessoas e nossa ideia é não só ganhar dinheiro, mas fazer oferecer o que temos de melhor”, finalizou o noivo.




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