ARAÇATUBA | 19 DEZEMBRO
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Colapso

No último dia 6, a transexual Jullyana Barbosa foi agredida em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ao atravessar uma passarela sobre a Dutra, rodovia que liga o Rio a São Paulo, começou a ser ofendida por um grupo de homens. No boletim de ocorrência, ela afirma que os agressores disseram: “tomara que o Bolsonaro ganhe para matar esse lixo”. Ao tentar argumentar com os criminosos, um deles a atingiu com uma barra de ferro, obrigando-a a levar 10 pontos na cabeça no posto médico.

No mesmo dia, em Maringá, no Paraná, a militante petista Vera Lúcia Pedroso Nogueira, de 53 anos, também teve que tomar pontos nas mãos após um homem não identificado tentar tirar sua bandeira e quebrar vidros de uma carreata. O agressor estava em uma moto com adesivos de Bolsonaro.

No último dia 7, o senhor Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Mestre Moa do Katendê, famoso músico e capoeirista, recebeu 12 facadas nas costas depois de dizer que havia votado em Fernando Haddad para presidente, em um bar de Salvador. Mestre Moa foi morto por um eleitor de Bolsonaro, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira Santana, que estava no mesmo bar. Depois de discutir com Moa no bar, Santana foi até sua casa, pegou uma faca, voltou ao local e esfaqueou a vítima 12 vezes. A briga também feriu o primo do capoeirista, Germínio do Amor Divino Pereira, atingido no braço.

No mesmo dia, também em Salvador, uma jornalista foi agredida e ameaçada por dois homens, um deles vestindo a camisa de Bolsonaro. Após votar, ela foi abordada por eles, que viram seu crachá e a chamaram de “riquinha de esquerda”. Depois, a furaram com canivete e ameaçaram estuprá-la, segundo o jornal Correio da Bahia. Ainda no dia 7, em Maceió, Alagoas, Julyana Rezende Ramos Paiva foi agredida com um soco no rosto por apoiadores de Bolsonaro após dizer que tinha votado em outro candidato. Eles desceram de um carro e a agrediram na rua, de acordo com o site Maceió7segundos.

No último dia 8, à noite, uma jovem de 19 anos foi agredida por três homens na rua Baronesa do Gravataí, em Porto Alegre. A vítima, que é lésbica e não quer falar com a imprensa por medo de sofrer novos ataques, relatou à Polícia Civil que após descer do ônibus, quando ia para casa, foi abordada pelos agressores porque estava usando uma camiseta estampada com a expressão #EleNão, em referência a Bolsonaro.

Os homens questionaram-na sobre o uso da camiseta e, em seguida, já a atingiram com socos. Na sequência, dois deles seguraram a vítima, e o terceiro fez riscos com um canivete na região abdominal da jovem desenhando uma suástica, símbolo do nazismo alemão. A ocorrência foi encaminhada para a 1ª Delegacia de Polícia Civil, e os policiais buscam câmeras de segurança para identificar os agressores.

No mesmo dia, no Rio de Janeiro, Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, assassinada em março, também foi ofendida por quatro homens que usavam camisas e bottons de Bolsonaro. Ela afirma que eles a chamaram de “piranha” e “esquerdista de merda”, enquanto estava com a filha no colo.

No último dia 9, o estudante Calil Purt, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi agredido, no início da noite, no centro de Curitiba. O jovem foi atingido por chutes, socos e garrafadas desferidos por integrantes da torcida organizada Império Alviverde, do Coritiba. A vítima, de 26 anos, estava em frente à Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) quando teria presenciado uma confusão e tentado intervir para que a briga cessasse. Porém, foi brutalmente agredido por integrantes da torcida organizada aos gritos de “aqui é Bolsonaro!”. Motivo: o jovem estava com uma camiseta vermelha e um boné do Movimento Sem Terra (MST). Pelo menos cinco agressores já foram identificados pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

No mesmo dia, em São Paulo, a cozinheira e doula Luisa Alencar foi agredida e presa arbitrariamente por policias militares, quando estava fazendo um estêncil com os dizeres “Ele Não” em um muro. Os policiais a agrediram e algemaram na calçada aos gritos de “puta” e “vagabunda”. Ao chegar à delegacia, foi obrigada a ficar nua e colocada em uma cela, de onde só saiu três horas depois, quando obedeceu às ordens do policial e falou “ele sim”.

Casos como estes estão sendo reportados à exaustão nas redes sociais. Através do Twitter, um usuário identificado como JW está realizando uma compilação dos atos de violência e intimidação cometidos em nome de Bolsonaro. Até ontem, dia 10, já haviam sido listados 24 atos, todos noticiados.  Algo semelhante está sendo feito no Instagram pelo perfil @elenaovainosmatar. Nele é possível ver relatos de quem está sendo agredido verbal e fisicamente.

De acordo com a Agência Pública, ao menos 50 agressões foram feitas por apoiadores de Bolsonaro nos últimos 10 dias nas cinco regiões do país. A partir desta semana, a organização Open Knowledge Brasil e a Brasil.io, em parceria com a Pública, vão recolher e monitorar casos de agressões ligadas às eleições de 2018. Os casos serão publicados no site Vítimas da Intolerância.

A onda de ódio e de “banalização do mal”, como disse a filósofa Hannah Arendt sobre o nazismo, já é tão grande que virou entretenimento entre os seguidores do presidenciável. No jogo virtual “Bolsomito 2k18”, o personagem Bolsonaro tem a missão de dar socos e pontapés em gays, negros, feministas e membros do MST. O objetivo é matar esses inimigos para que eles virem, literalmente, merda, excremento. Lançado no último dia 5, o game figura na lista dos quinze mais vendidos do Steam, uma plataforma especializada em jogos on-line.

Perguntado sobre as agressões feitas por seus seguidores, Bolsonaro disse se tratar de um “excesso”. O candidato respondeu: “O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso? Não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam”. Uma declaração bastante esquiva para quem já elogiou um torturador da ditadura em pleno Congresso e também disse absurdos como: “Sou preconceituoso, com muito orgulho”. “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que morra num acidente”. “Não te estupro porque você não merece”. “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. E por aí vai...

Ou seja, suas palavras têm funcionado como um estímulo ao gatilho, à pedrada, à facada, à violência em seu estado mais bruto e fascista. Independente do resultado do pleito, o fascismo já está assentado sobre os corações e mentes de milhões de brasileiros, muitos deles ansiosos por portar uma arma para iniciar os “justiçamentos”, principalmente, contra LGBTs, negros, feministas, esquerdistas, periféricos e trabalhadores sem terra ou sem teto.

Se ele ganhar, será como uma chancela institucional de aprovação da barbárie. Se perder, também haverá uma violência desmedida por conta da frustração da derrota e da possível negação do resultado.

De uma forma ou de outra, a sociedade brasileira já agoniza em colapso.


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