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POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO
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Após chamar secretário de macumbeiro, Fermino é alvo de denúncia
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A Câmara Municipal de Birigui vota nesta terça-feira (16) a denúncia, com pedido de cassação do mandato do vereador José Fermino Grosso (DEM), apresentada pelo secretário municipal de Serviços Públicos, Água e Esgoto, Cleverson José de Souza, o Tody, nesta segunda-feira (15). Ele acusa o parlamentar de injúria e discriminação religiosa, ao ser chamado de “macumbeiro”, durante pronunciamento do vereador na tribuna da Casa.

São necessários 12 votos (maioria qualificada) para a abertura de uma CP (Comissão Processante) para investigar a conduta do vereador. Caso contrário, a denúncia será arquivada. A Câmara de Birigui tem 17 vereadores.

Na semana passada, o secretário municipal de Serviços Públicos, Água e Esgoto de Birigui, Cleverson José de Souza, o Toddy, registrou dois boletins de ocorrência contra o vereador, após as declarações que ele considerou ofensivas e “cheias de ódio”.

O caso aconteceu na última terça-feira (9), quando Fermino, que faz oposição ao prefeito Cristiano Salmeirão (PTB), cobrava explicações a respeito de gastos com a manutenção de veículos da frota municipal e sobre notas de peças adquiridas pela Prefeitura.

Em determinado momento, o vereador se dirige ao secretário, que acompanhava a sessão e fez gestos durante a fala do vereador, que disparou: “Presidente, o rapaz lá (apontando para o secretário de Serviços Públicos). Você tá se doendo? Você faz parte dessa turma, rapaz. Ele tá falando lá, tá rateando”, afirmou Fermino.

Na sequência, o vereador diz: “E esse Tody aí? Falam que tem que ter medo do cara porque o cara é macumbeiro!”. Advertido pelo presidente da Casa, o vereador Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia, Fermino continuou: “Pode chamar a polícia. Que poder que ele tem aqui? Eu tô falando aqui, ele tá dando risada lá, rapaz”.

OFENDIDO

O secretário de Serviços Públicos disse que se sentiu ofendido com as palavras do vereador, por isso registrou os boletins de ocorrência na guarda municipal e na polícia civil. “Sou umbandista desde os 14 anos idade e é a primeira vez que sofro discriminação por causa da minha religião”, afirmou Toddy, que tem 43 anos. “A minha religião só faz caridade às pessoas, não faz mal nenhum a ninguém”, defendeu-se Tody.

Sobre os questionamentos feitos por Fermino, o secretário disse que já havia respondido por meio dos requerimentos apresentados pelo vereador. Tody disse ainda que não estava rindo tampouco desdenhando enquanto o parlamentar falava na tribuna. “Eu só gesticulei, querendo dizer que já havia respondido aos questionamentos que ele estava fazendo no plenário”, justificou.

Na tarde desta terça, o presidente da Câmara, Vadão da Farmácia, se reuniu com o jurídico da Casa para definir os procedimentos a serem tomados após a denúncia do secretário. Pelo regimento interno da Câmara de Birigui, a denúncia deve ser apresentada ao plenário e votada na sessão subsequente ao dia em que foi protocolada.

Procurado pela reportagem, o vereador Fermino Grosso não quis se manifestar.

MANIFESTO DE REPÚDIO

O presidente da Abratur (Associação Brasileira dos Religiosos de Umbanda e Candomblé), pai Guimarães, gravou um vídeo em solidariedade ao secretário e em repúdio às palavras do vereador.

“Tenho certeza que não é o pensamento do partido que ele representa na Câmara. Tenho certeza que não é o pensamento dos seus pares. Essa pessoa envergonha a cidade de Birigui, pois leva uma notícia criminosa de intolerância e preconceito. Ele é merecedor de ser responsabilizado pelo seu discurso”, afirmou, ao se referir a Fermino.

“A Associação Brasileira dos Religiosos de Umbanda e Candomblé e eu, como sacerdote, tenho certeza que toda comunidade no estado de São Paulo e no Brasil se revolta hoje com a postura deste senhor que deveria rever sua postura e seu conceito”, diz outro trecho da gravação. “Espero que, no mínimo, ele tenha uma advertência formal da Câmara Municipal. Apesar de que a sua atitude cabe, sim, uma cassação, porque ele envergonha a cidade e envergonha a Câmara Municipal , porque ele deveria estar em defesa da liberdade e do direito de cada um ter a sua expressão religiosa”.

Ao final, o presidente se solidariza com Tody: “Você nos orgulha, porque cumpre sua função de cidadão sem se afastar de sua missão religiosa. Estamos com você nesta luta”.

 


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