ARAÇATUBA | 20 JULHO
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OPINIÃO
À luz do jornalismo analítico

Dia desses, uma simples conversa sobre preferências em relação a apresentadores de telejornais rendeu um bom debate entre parentes, amigos e colegas de trabalho. (Ainda) Há quem opte pelo mero leitor de notícias, como se a omissão de opinião por parte do “âncora” tornasse a notícia mais imparcial. Discordo absolutamente! Não é necessário ser um estudioso de comunicação para entender o que é mensagem subliminar e o seu poder. Isso sem falar nas inúmeras formas de abordar um assunto de acordo com a conveniência ditada pela linha editorial do veículo.

Quantas vezes vimos (e continuamos vendo diariamente) emissoras de rádio, de TV, jornais impressos, sites e blogs darem títulos e chamadas de notícias de forma pretensamente neutra, mas a nota, matéria ou reportagem ser absolutamente tendenciosa? São situações em que os interesses comerciais e políticos, e em grande parte das vezes, das duas ocorrências juntas, falam mais alto do que a ética.

    Essa reflexão não é simples nem fácil de ser feita, ainda mais para quem desconsidera a informação e principalmente a comunicação como ferramentas estratégicas de relacionamento pessoal, profissional, institucional, comercial etc. Em tempos de internet e de mídias sociais, com tantos dados disponíveis para tanta gente, enfrentamos uma contradição. Como diz o professor Sérgio Sotto, da UERG (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), “tanta informação em estado bruto quer dizer pouca coisa, pois a informação, por si só, é insuficiente”. O que ele quer dizer é que os dados precisam ser contextualizados, interpretados e analisados para terem verdadeiramente utilidade, para dar ao receptor da mensagem a percepção da realidade, produzindo o que Sotto chama de “ordenamento de sentido à sociedade”.

    Nesse contexto, o papel do jornalista é ser o decodificador da informação, e não apenas um mero reprodutor de linguagem. Na prática, existem veículos de comunicação que simplesmente reproduzem – Control C, Control V – o que é publicado pela imprensa tradicional (a Grande Imprensa, se preferir chamar assim). Há outros que ajeitam a mesma notícia de acordo com o seu modelo de negócio (chamemos assim, para não ficar deselegante). E existem os veículos analíticos, sendo os blogs os seus melhores representantes.


Por isso, prefiro o jornalismo opinativo ao modelo pretensamente imparcial, que desde a minha época de faculdade tinha seu crédito questionado – e lá se vão quase três décadas, e desde sempre foi assim –, ainda que o veículo que leio, ouço ou assisto explicite opinião contrária à minha. Isso não é um problema.

 A transparência em relação ao seu posicionamento em todas as áreas de cobertura, mas principalmente na editoria política e econômica, o faz honesto com o seu leitor, ouvinte ou espectador. Errado é mascarar as suas tendências e definições travestindo-se de uma imparcialidade inatingível, sendo maniqueísta, manipulando o público, dando a impressão que dá ao receptor da mensagem a oportunidade de interpretar e formar opinião.

Isso é estelionato noticioso.

*Marcelo Teixeira é jornalista e empresário do setor de comunicação corporativa em Araçatuba
 


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