ARAÇATUBA | 21 AGOSTO
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CULTURA E ARTE
GASTRONOMIA
"OUVIR É OURO" - Chefe Juarez Paes estreia no Araçatuba e Região

Quando eu era criança não imaginava o quanto a filosofia oriental (não só a chinesa) tinha influência na minha educação, claro, guardada as devidas proporções, tinha muito da filosofia do fio de ferro, vara de goiabeira, cinto, chinelo, tamanco e palmatória, porque era essa a passada através das gerações.

Apesar do risco de ver a “piaba cantar”, como toda criança era cheio de porquês, perguntava de tudo um pouco para meus avós, pais, tios, vizinhos, professores, enfim, qualquer adulto era uma vítima em potencial do meu mar de questionamentos.

Nem sempre era agradável levar as broncas a cada interrupção (“quando um burro fala, o outro abaixa a orelha”), mas, em compensação ouvir as histórias contadas pelos meus avós ou por qualquer outro adulto tinha o mesmo valor, ou melhor, era como assistir um bom DVD, ir ao cinema (o que era raro em opções naquela época) ou ver uma boa peça de teatro.

Tinha história de todo tipo e tema: suspense, mistério, aventura, drama e comédia, às vezes tudo ao mesmo tempo, eu e as outras crianças (primos, vizinhos e alguns “burros velhos”) ficávamos vidrados, era como se existisse um enorme rolo de filme em nossas mentes, porém, além dos ingredientes do roteiro, as histórias traziam, sobretudo, muitos ensinamentos, lições valiosas sobre moral, respeito, fé, solidariedade, caridade e a velha batalha entre o bem e o mal, claro, sempre com a vitória indiscutível e implacável do bem.

O motivo pelo qual eu voltei a este tema hoje é a constatação do agravamento de um quadro, que piora cada vez mais todos os dias, as pessoas estão perdendo a capacidade de ouvir e dar atenção ao que os outros dizem, não escapa quase ninguém, crianças, adolescentes, adultos jovens e até mesmo os mais maduros, que não se interessam ou dão atenção ao teor do que realmente está sendo dito, já têm a resposta pronta independente do tema abordado, o argumento já sai no automático, mais jovens simplesmente ignoram as boas e velhas histórias contadas pelos mais vividos, apesar de lá no fundo saberem que estão recheadas de lições e ensinamentos valiosíssimos para a vida.

O objetivo é chamar a atenção para que desde já, se de uma importância maior para ouvir do que falar, abaixo a “Síndrome de Faustão”, que não deixa ninguém completar uma frase ou o raciocínio sem interromper.

Esta incapacidade nas relações já se tornou um péssimo hábito (falta de educação mesmo), a ausência de gentileza, a escassez de caridade, empatia e indulgência, prolifera os julgamentos e conclusões precipitadas, o desperdício de informações importantes, bons conselhos e o irreparável desprezo a tanta experiência de vida, da qual se poderia tirar um enorme e valioso proveito.

O que tudo isso tem a ver com a Gastronomia? Muito! Porque como qualquer atividade profissional executada em grupo, exige entrosamento e sincronismo, e como regra básica precisa de mais ouvidos bem abertos, que bocas interrompendo as instruções. Você com toda a certeza já deve ter reparado quando vai a bares e restaurantes, que a quantidade de pedidos trocados ou errados que chegam a sua mesa e/ou a dos demais clientes é cada vez maior.

E quando você pede, por exemplo, sem queijo, sem cebola, sem sei lá mais o que e o pedido vem abarrotado justamente daquilo? Que as bebidas, principalmente quando a mesa tem muita gente, são servidas (pelo menos 50%) trocadas entre os componentes ou sem os opcionais como gelo, limão, açúcar ou adoçante? É isso galera! Fica pior a cada dia, as “Torres de Babel” se multiplicam, todos falam, mas, ninguém ouve, e, lógico, não entende.

Como eu já disse em outra oportunidade: ainda há tempo e podemos sim, ajudar a reverter este processo passando a ouvir mais e falar não necessariamente menos, mas, o suficiente, na hora certa como complemento para agregar valor ao que foi dito de bom ou “ruim”, porque atrás de uma aparente besteira proferida, pode estar ocultado um grande ensinamento ou até mesmo a solução para um problema, para tanto é preponderante deixar a soberba de lado, se habituar e praticar a humildade, além de ouvidos e mente bem abertos para que haja uma boa interpretação, seguida de muita reflexão, triagem e aplicação.

ENROLADINHO DE FILÉ DE LINGUADO COM PASTA DE LIMÃO SICILIANO

Você vai precisar de: -500 g de filé de linguado (pode ser de tilápia, tucunaré, ou qualquer um da sua preferência); -150 g de bacon fatiado fino; -150 g. de provolone fatiado; -1 xícara de chá de fubá; -1 xícara de chá de farinha de trigo; -2 ovos batidos; - suco de 2 limões sicilianos; -2 colheres de sopa de maionese; -1 copo de requeijão tradicional sem amido; -500 ml de azeite de oliva; -sal e p. calabresa qb.

Preparo: Tempere os filés de peixe com sal, suco de 1 limão e p. calabresa e deixe marinando por 15 minutos. Enquanto isso misture bem a farinha de trigo e o fubá, enrole os filés de peixe juntamente com uma fatia de bacon e uma de provolone formando um enroladinho e prenda com um palito ou amarre com um fio de linha, empane passando no ovo e mistura de farinha com fubá.

Em uma frigideira ou panela larga antiaderente, aqueça 400 ml de azeite e frite os roletes para que fiquem bem dourados, passe para uma peneira para escorrer e não perder a crocância e em seguida passe para um prato ou refratário. No liquidificador bata a maionese, o azeite restante, suco de 1 limão, o requeijão, sal e p. calabresa qb, depois de formado a pasta passe para uma tigela. Então sirva os roletes com a pasta como petisco. Se preferir, faça um arroz branco e monte um delicioso prato para seus convidados.

 

*Juarez Paes é chefe de cozinha e colaborador do Araçatuba e Região.


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