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MENOS MÉDICOS
'Não dá nem pra acreditar; o sentimento é de tristeza', diz cubana
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“Não dá nem pra acreditar. A gente tinha uma agenda de trabalho. O sentimento é de muita tristeza.” A frase é de uma médica cubana que mora em Araçatuba desde maio de 2014 e que, a partir desta quarta-feira (21), deixou de atender pelo Programa Mais Médicos.

A notícia de que seu país desistira de continuar no programa do governo federal brasileiro veio de maneira repentina, surpreendendo todos os profissionais que aqui trabalhavam.

“Foi uma coisa muito em cima da hora. Não falaram com a gente sobre esta decisão, só avisaram que havia terminado a participação de Cuba no programa”, contou. A notícia veio há uma semana, na quarta-feira, 14, véspera do feriado da Proclamação da República.

Além dela, que pediu para ter a identidade preservada, outros 23 profissionais cubanos atuavam na Atenção Básica, em Araçatuba.

Chateada com a situação, ela relembrou momentos marcantes que viveu em Araçatuba nos últimos quatro anos. Um deles foi a grande epidemia de dengue, em 2015, quando, em um ato de solidariedade, os médicos cubanos adiaram as suas férias para socorrer os doentes, atendendo aos apelos do então coordenador dos médicos cubanos, da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) e da Secretaria Municipal de Saúde.

“A população começou a sofrer com os sintomas da doença e precisou da nossa ajuda”, contou. As férias só foram tiradas dois meses depois, quando a situação estava sob controle.

Para ela, a experiência de trabalhar no Brasil foi algo diferente, pois eles puderam ter contato com doenças que, em outras regiões onde eles trabalharam, já estavam erradicadas, como é o caso a leishmaniose.

Os cubanos que trabalharam em Araçatuba de maio de 2014 até novembro de 2018 já tinham experiência em outros países, como Venezuela, Guatemala e África. “O Brasil é muito parecido com Cuba com a alimentação, povo solidário e acolhedor”, comparou, ao dizer que fez muitas amizades aqui.

Sobre a interrupção do trabalho na cidade, a médica diz que sente pela população. “Isso afeta não somente a nós, a população é quem sai mais prejudicada”, afirmou.

Ela conta que os profissionais cubanos faziam um trabalho de prevenção na cidade, desenvolvido com os gestores da saúde pública e enfermeiros. Além do trabalho nas UBSs, eles visitavam acamados e idosos em suas residências, faziam o acompanhamento de grávidas e de recém-nascidos, a chamada puericultura, já que a rede pública municipal não possui pediatras.

“Infelizmente, a interrupção desse trabalho vai afetar a população que já estava agendada para atendimento médico”, disse.

Os cubanos começam a deixar Araçatuba na madrugada desta quinta-feira (22). Eles devem voltar para Cuba, onde ficarão um período de férias. Depois, deverão ser designados para outros países – Cuba possui acordo de cooperação com 65 nações, entre elas, a África, Arábia Saudita, Venezuela, Guatemala e Uruguai.

HOMENAGEM

Nesta quarta, durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde, os médicos cubanos que atuaram em Araçatuba serão homenageados pelos gestores da saúde. “Nós vamos agradecê-los pelo que fizeram pela saúde da população”, disse a diretora da Atenção Básica, Aparecida Nava.

REUNIÃO

Dos 23 médicos cubanos que atuavam em Araçatuba, oito são casados com brasileiros residentes na cidade. Como eles estão legalizados no País, há a possibilidade de eles ficarem aqui.

Este assunto foi tema de uma reunião realizada na manhã desta quarta-feira (21), no gabinete do prefeito Dilador Borges (PSDB), com a presença da secretária municipal de Saúde, Carmen Guariente, do vereador Antônio Edwaldo Dunga Costa (DEM) e de médicos da ilha caribenha.

A permanência deles no município, no então, depende da adesão dos médicos brasileiros ao edital lançado nesta terça-feira (20) pelo Ministério da Saúde.

Caso as 23 vagas para Araçatuba não sejam preenchidas, eles poderão se inscrever em um novo edital que deverá lançado, voltado para brasileiros formados no exterior e estrangeiros em situação legal no País. Na região, estão disponíveis um total de 53 vagas.

 


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