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"Agora, não posso mais ser chamada de travesti, pois sou uma mulher"
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Ao receber uma ligação na tarde de quinta-feira (5), ela sentiu um misto de alegria, alívio e realização. Do outro lado da linha, seu advogado dizia: “Regininha, considere-se mulher! Sua certidão de nascimento está em minhas mãos e você se chama Regina Lourenço!”.

Era mais uma etapa vencida na vida da decoradora e animadora de festas Regininha, que nasceu Adriano Wagner Lourenço, no dia 29 de março de 1977, mas que, há dez anos, começava a transformar o seu corpo porque já não mais se reconhecia como homem.

Por meio de uma ação administrativa de retificação de nome e sexo, ela conseguiu alterar oficialmente os seus dados em sua certidão de nascimento. Ela está entre os primeiros transgêneros (pessoa que se identifica com um gênero diferente daquele que corresponde ao seu sexo atribuído no momento do nascimento) que entraram com o pedido em Araçatuba – o primeiro saiu no dia 19 de maio para o tatuador Guilherme Goés Alves.

O procedimento para que Regininha pudesse mudar de nome levou cerca de 20 dias e foi feito pelo advogado Renato Kilden, baseado em recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou procedente a ação direta de inconstitucionalidade número 425-DF e alterou a lei 6015/73, garantindo aos transexuais e transgêneros o direto de substituição do nome e do sexo no registro civil, sem a necessidade de realização de cirurgia de mudança de sexo.

Após ingressar com o pedido no cartório de registro civil, o procedimento administrativo foi para o Ministério Público e, em seguida, para o juiz corregedor autorizar a alteração nos documentos.

CONQUISTA

Para Regininha, que agora é Regina Lourenço, a conquista é uma realização pessoal porque é oficialização do que escolheu ser. “Agora, não posso mais ser chamada de travesti, pois sou uma mulher”, comemora.

Ela, que atua como animadora de festas, decoradora e ativista de projetos solidários, conta que decidiu alterar o próprio nome e sexo para evitar situações constrangedoras em que precisava apresentar seus documentos. “A pessoa olhava para o nome masculino e se deparava com uma mulher, o que era constrangedor”.

DESPERTAR

Homossexual assumida quando jovem, Regina Lourenço conta que começou a despertar para o lado feminino em 1998, quando passou a incorporar a Drag Queen Regininha, para animar casamentos, aniversários e eventos diversos.

Ainda criança, recorda-se que sempre preferiu as bonecas aos carrinhos.  Ela gostava mesmo era de brincar de casinha e, quando cresceu, passou a se interessar por homens. “Nunca namorei uma mulher”, conta.

Em 1998, deixava de ser o Palhaço Peninha, nome artístico adotado em 1993 para trabalhar como animador de festas, e adotava o codinome Regininha, escolhido por integrantes de um grupo GLS que frequentava.

CORPO

Já se vestindo como mulher, começou a mudar o próprio corpo, primeiro com a colocação de próteses mamárias, em 2008, cirurgia patrocinada por um pecuarista de Araçatuba. Depois, vieram as lipoesculturas, prótese no bumbum, mega hair para alongar os cabelos e uma sorte de procedimentos estéticos para ficar ainda mais feminina.

O processo foi acontecendo naturalmente, por causa do seu trabalho artístico como animadora de festas e apresentadora de boates.

Vaidosa, não abre mão de sobrancelhas e unhas bem feitas, maquiagem e cabelos arrumados. Com 1,78 metro de altura, chama a atenção por onde passa por seu porte e produção impecável. Tanto que possui cabelereiro, manicure e maquiador. “Não abro mão do cabelão nem dos seios”, diz.

DOCUMENTOS

Com a nova certidão de nascimento, Regininha, agora, pretende alterar seu nome e sexo em todos os documentos pessoais (RG, CPF, título de eleitor, carteira de habilitação e cartões de crédito).

Ela descarta a possibilidade de mudar o sexo futuramente. “Sou bem resolvida sexualmente e feliz do jeito que sou”, afirma.

Sobre o preconceito, ela disse que lida naturalmente, até porque suas atividades artísticas e solidárias a tornaram conhecida e respeitada na sociedade. “Eu tenho o reconhecimento das pessoas, por mais que haja preconceito por parte de algumas delas”.

 


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